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Agosto 01, 2018 - 00:55

Orquestra do Erê comemora 10 anos e lança CD comemorativo

Orquestra congada

Orquestra congada

Foto: Divulgação

Paula Maria [email protected]

Foi para nunca mais ouvir de um maestro que uma orquestra não poderia perder seu tempo com "isso", que Mestre Quintino Bento, de Tremembé, criou sua própria orquestra. "Isso", no caso, foi uma referência às excelências, como são chamadas músicas cantadas em mosteiros, verdadeiras orações que datam dos séculos 19 e 20.

"Posso lhe garantir! Um canto desse vale tanto quanto dez Ave Maria, viu!", brinca o mestre, responsável pela criação da Orquestra do Erê, que comemora nesta quarta-feira (1º) dez anos de existência com uma apresentação no teatro Metrópoles, às 20h.

Nascida dentro de um grupo de congada, a orquestra conta com 32 membros, o mais velho tem 78 anos de idade, e o mais novo, um. "Ele acompanha a mãe nas apresentações!". A união de músicos é fruto de uma pesquisa, de 2005, feita numa parceria de Bento com o arranjador Paulo Raposo. São canções de ternos congadeiros, como são denominados os coletivos que realizam festas cheias de religiosidade.

"A riqueza musical é singular. Se assemelha ao repertório dito clássico - universo, aliás, muito bem explorado por Heitor Villa-Lobos (1887-1959)", explicou o mestre. "E é curioso porque os arranjos se parecem muito com a musicalidade de Beethoven (1770-1827). Não sabemos quem copiou de quem ou se ninguém copiou e, simplesmente, essa similaridade é resultado de algo que estava presente na cultura do homem naquela época. Fato é que, sem estudo, aqueles músicos viviam da música clássica".

Na época da pesquisa, Bento, com a pasta de partituras embaixo do braço, foi em busca de orquestras já existentes na região para um projeto. Foi quando ouviu o termo que abre este texto. "Entendi então que apenas uma orquestra nascida dentro da congada poderia entender a importância de um material desse e executá-lo".

Devoção.

Não foi difícil encontrar pessoas interessadas em aprender um instrumento musical nem músicos já formados. Neto de Quintino Brotero de Assis (1889-1985) - congadeiro desde criança e criador de um grupo musical quando adulto -, e filho de Quintino Junior - também músico -, Bento nasceu dentro da congada e herdou do avô e do pai não só o nome, mas a paixão pela cultura popular valeparaibana.

"Quando meu pai morreu, em 2010, assumi o grupo. Seguimos até hoje tocando em procissões, bailes, festas religiosas e alvoradas (apresentação que ocorre no nascer do sol, em dias de santos, para lembrar a todos que aquele será um dia de festa)", contou o mestre, que diverte-se ao lembrar que tem no currículo dois velórios. "Fiz um aos sete anos, no grupo de meu avô, e outro aos 12. Eram enterros de pessoas que gostavam muito das congadas".

É dele ainda a primeira escola de congo de São Benedito do Erê. E, para a orquestra, Bento, que também foi professor do projeto Guri, chamou amigos e colegas professores para participarem.

A orquestra foi criada em maio de 2008. Desde então são realizados de quatro a seis concertos anuais. O projeto logo chamou a atenção da cena erudita, e o grupo recebeu as visitas dos maestros João Carlos Martins e de Sergei Eleazar de Carvalho, entre outros nomes.

Serviço.

O espetáculo desta quarta-feira leva o nome de "O Sopro 100 anos de música família Quintino", em comemoração ao centenário do grupo de congada, e traz o lançamento do primeiro CD da orquestra num projeto que conta com o apoio do Governo do Estado de São Paulo.

O teatro fica na r. Duque de Caxias, 312, Centro, em Taubaté. A entrada é franca. E, segundo o mestre, os presentes receberão gratuitamente um disco da orquestra..

 

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