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bomApetite
Maio 12, 2018 - 03:07

Estilo, cor e alma no restaurante de Luciana Valladão, em Guará

Luciana Valladão

Luciana Valladão

Foto: /Divulgação

Atmosfera intimista e despretensiosa fará você não querer ir embora nunca mais: Casa reserva a mais saborosa cerveja da região, que chega à mesa estupidamente gelada; ponto alto é o carpaccio, cuja receita simples, inspirada no prato criado em 1950, oferece sabores inesquecíveis

Fernando Salerno
Diretor-presidente de OVALE

Ao ingressar nesse templo gastronômico numa cidade que já foi considerada a "Atenas do Vale" e ao lado do maior templo católico do Brasil, você se sentirá tão envolvido pela atmosfera intimista e ao mesmo tempo despretensiosa, que não vai querer ir embora nunca mais. A não ser que a Luciana, a "masterchef" e dona da casa onde o restaurante está instalado, peça, gentilmente, para você se retirar. E sem pagar a conta, se for o caso. Algo que já testemunhei, e gostei. Afinal, a casa é dela e ela recebe quem quiser.

A Luciana Valadão é a alma desse templo. Uma espécie de Niemeyer de saia, onde vigora um espírito de Fla-Flu, de ame-ou-odeie. Tudo o que ela não pode ser é taxada de insípida ou incolor. Ao contrário. Ela tem estilo, calor humano. Uma risada típica e ao mesmo tempo enigmática.

Para aqueles que, assim como o gênio da arquitetura mundial, não se sentem atraídos pelo "ângulo reto, nem a pela linha reta, dura e inflexível; mas pela curva livre e sensual que encontra nas montanhas do seu país, nas ondas do mar e no corpo da mulher preferida", vão se apaixonar por este lugar mágico.

Sabor.

O carpaccio é o ponto alto da casa, encravada nas montanhas do Vale do Paraíba e localizada em frente ao antigo Palacete do Visconde de Guaratinguetá, atualmente escola estadual Conselheiro Rodrigues Alves. O prato é elaborado exclusivamente por Luciana e servido apenas nos dias em que ela estiver trabalhando.

Criado no Harry's Bar de Veneza, em 1950, a pedido de uma condessa que, segundo a lenda, só podia comer carne crua, ele foi inventado por Giuseppe Cipriani. A receita consiste em finas fatias de carne crua fresca, suco de limão, azeite de oliva, mostarda Dijon, sal e pimenta-do-reino moída na hora.

O prato foi inspirado no famoso pintor veneziano Vittore Carpaccio, que costumava usar tons de vermelho e branco em suas obras, e à época estava com uma exposição na cidade.

Veneza fascina o mundo há séculos, repousada sobre os mesmos pilares de madeira espetados há centenas de anos, e em meio ao mar Adriático.

É uma cidade típica por sua culinária de contrastes, que mescla alimentos luxuosos com uma enorme variedade de frutos do mar provenientes das águas que circundam a cidade e tem uma indescritível capacidade de sedução. Veneza foi ainda fonte de inspiração de Woody Allen quando filmou "Todos dizem eu te amo" (1996), segundo os críticos, apenas para beijar a Julia Roberts.

Mas, voltando ao ponto que interessa, o importante é que Veneza com todos os seus atributos arquitetônicos, não serve um carpaccio como o do restaurante da Luciana.

A qualidade do preparo dos pratos também é um diferencial, o sabor, a leveza, e o frescor da boa mesa é o que a gente almeja quando sai para jantar. E é o que este restaurante oferece: puro prazer.

PRAZERES.

O Carménère reserva seleção especial, agora com o rótulo do restaurante Luciana Valadão, é sensacional. Traz notas de amora, ameixa, especiarias e chocolate; é produzido no Chile e envelhecido por 12 meses em barricas de carvalho francês.

Mas fora da curva neste restaurante de culinária simples e chique é a cerveja Original, servida estupidamente gelada, em estado quase licoroso.

A "canela de pedreiro", como carinhosamente uma cerveja bem gelada deve ser tratada, é servida trincando à mesa pelo garçom Carlos. Difícil ou praticamente impossível de ser encontrada nos melhores botecos do Brasil: do cruzamento das avenidas Ipiranga com a São João à Mooca, em São Paulo; às esquinas cariocas que servem de "pit stop" obrigatório no pós-praia.

Por mais que eu tenha me esforçado, não consegui apontar uma crítica, o que, em tese, poderia descredibilizar esse texto. Mas a verdade é que para tipificar melhor ainda esse ambiente controverso, eu costumo contar a história que se diante de um pelotão de fuzilamento, me fosse dado o direito de escolher o último jantar da minha vida, tomaria um chope na Choppi, em Santa Branca, e jantaria no restaurante da Luciana. E ponto.

Dica: pare tudo o que estiver fazendo e reserve sua mesa já. Boa viagem e bom jantar..

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