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Maio 15, 2018 - 23:40

Grupos da Oca da Vila, na zona leste de São José, temem ter de deixar espaço para ampliação de IMI

Oca da Vila

Oca da Vila

Foto: Rogério Marques/OVALE

Prefeitura afirma que está avaliando caso

Paula Maria [email protected]

Em nome de uma agenda de governo, mais uma vez, o setor cultural joseense está em vias de ser sacrificado. Desta vez, no centro da nova trama, a Oca da Vila, espaço na Vila Tatetuba que há 40 anos serve à comunidade.

Dividem os seus muros os grupos Jongo Mistura da Raça, Congada Filhos de N'zambi, Capoeira Raízes, Jovens Protagonistas, Canal Plural e Confraria do Samba. A questão colocada pela Prefeitura: a ampliação da (creche) IMI Flavio Lenzi, com o objetivo de abrir mais vagas para crianças da região.

Localizados na praça das Gaivotas, ambos prédios dividem espaço ainda com uma área que abriga duas quadras (poliesportiva e de areia), academia ao ar livre e pistas de skate. Mas, segundo Eduardo Pane, presidente da organização social Celebreiros, gestora da Oca, o objetivo da Secretaria de Educação é utilizar a construção já existente.

"Tivemos uma primeira conversa positiva com a prefeitura, em que foram colocadas as questões. Não somos contra a ampliação de vagas na creche ou de seu prédio. Mas questionamos porque temos de ceder um prédio que abriga tantos projetos e que dá suporte a tantas pessoas, sendo que há espaço na praça para tal expansão", ressaltou Pane.

ATENDIMENTO.

Segundo dados fornecidos pela Oca, ao longo dos últimos dez anos, o espaço arrecadou R$ 3,2 milhões doados por parceiros de projetos lá realizados; no total foram 195.596 pessoas atendidas em eventos; 2.755 pessoas em oficinas e capacitações técnicas certificadas; e criados 46 postos de trabalhos diretos.

"Esse é um prédio que foi construído como uma contrapartida de uma construtora. A associação amigos de bairro cuidou por 30 anos desse local, até que entraram em contato conosco para que o administrássemos", contou o gestor. Ainda segundo Pane, uma vez que não há um documento formal que determina o dono do prédio, subentende-se que ele é do poder público.

"Desde que assumimos, nos baseamos no modelo das fundações comunitárias canadenses, com uma linha de trabalho horizontal em que todos somos iguais. Ao mesmo tempo que fazemos a gestão do espaço, temos em mente que somos um coletivo. Cada grupo tem uma cadeira no conselho deliberativo da própria Celebreiros. É uma forma de garantirmos essa construção conjunta", continuou Pane.

São desenvolvidas atividades como capoeira, danças folclóricas e projetos audiovisuais. "O local também é usado para reuniões religiosas, de moradores de bairro, festas... É uma espaço que, de fato, está aberto a todos na cidade".

Uma segunda reunião com o governo ainda não tem data definida para ocorrer. Por ora, há um movimento na web a favor da manutenção do espaço cultural, com o uso da hashtag #aocaedacomunidade.

Outro lado.

Questionada sobre a quantidade de crianças na creche, as vagas abertas com a sua ampliação, a demanda de crianças fora da creche na região, qual alternativa para os grupos instalados na Oca, quais os custos da adaptação do prédio da Oca versus a investimento na construção de um prédio novo e se a praça poderia ser usada como uma opção de expansão, a prefeitura se limitou a responder a seguinte nota:

"A Secretaria de Educação e Cidadania informa que todas as ampliações e novas construções de escolas da rede municipal são realizadas após análises da demanda de cada região. No momento, estamos analisando a situação do Instituto Materno-Infantil Flávio Lenzi, que fica na Vila Tatetuba, assim como a demanda daquela região. Atualmente, o IMI Flávio Lenzi atende cerca de 146 crianças, do berçário ao Pré II, com idades entre 0 e 5 anos"..

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