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Política
Maio 12, 2018 - 00:03

Entrevista exclusiva: governador Márcio França quer maior 'autonomia' para a RMVale

Governador Marcio França

Região. Márcio França disse ter importantes apoiadores no Vale do Paraíba e ressalta prefeitos aliados

Foto: /Rogério Marques/OVALE

Em entrevista exclusiva a OVALE, no Palácio dos Bandeirantes, governador também ressaltou o equilíbrio fiscal de São Paulo

Caíque Toledo @caiquetoledo
São Paulo

Sucessor de Geraldo Alckmin (PSDB), o governador de São Paulo, Márcio França (PSB), quer dar mais autonomia para a RMVale e demais Regiões Metropolitanas.

Com só mais cinco meses até as eleições de outubro, quando colocará o seu nome na disputa pela reeleição, em um confronto com nomes como João Doria (PSDB) e Paulo Skaf (MDB), o atual chefe do Poder Executivo paulista recebeu OVALE em seu gabinete no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, nesta sexta-feira, para uma entrevista exclusiva.

Ele promete rever o efetivo policial no Vale, região líder em violência no interior, e afirmou que aposta no turismo e tecnologia como os principais eixos para focar na RMVale neste e em um eventual próximo governo.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista:

Sucessão de Alckmin e disputa com Doria

Eu imaginei e imagino que se ele [Alckmin] me convida para ser o sucessor, de alguma forma confia em mim, gosta de mim. Mas o partido dele resolveu lançar um candidato, é direito deles, é partido grande. Na minha visão foi um erro, não pelo prefeito em si, porque me dou bem com o Doria, simpático, educado, até ajudei a eleger. Mas como ele prometeu ficar quatro anos e depois ficou um, ele passa a sensação de não cumprir. E quando você promete e não entrega, não há quem aguente. Essa coisa de não cumprir terá um peso.

Curto tempo da campanha

É normal que as pessoas perguntem quem é o Márcio França, só sou conhecido por 9% da população. São Paulo tem 45 milhões de pessoas, e menos de 4 milhões me conhecem. Se a pessoa não sabe quem é, como pode gostar? Minha primeira grande tarefa é ser conhecido. Eu suponho que quando passe o tempo, as pessoas falem do 'governador Geraldo Alckmin' e ai lembrem que não é mais ele. Quem ficou no lugar? O tal de Márcio França. Temos um tempo de televisão bom, temos o maior número de partidos, então terei o maior tempo, e com isso espero ficar conhecido e terei a chance de disputar com os outros.

Projetos de Visibilidade

Gostaria de ficar marcado como alguém que deu chance para os jovens. Uma boa parte do jovem brasileiro se sente desanimada... Acha que não vai passar na faculdade pública, sabe que o pai não pode pagar particular, e as vezes não pode pagar moradia em São Paulo caso passe. Gostaria de criar alternativas pra que o jovem tivesse uma primeira oportunidade de emprego, um curso técnico decente e remunerado, e depois uma faculdade pública gratuita e sem vestibular. Sei que não vai dar tempo para fazer em poucos meses, mas que vou por o trem no trilho e apontar pro futuro, eu vou.

Aposta para a presidência

Se você vai fazer uma cirurgia no coração sua mãe, do seu filho, você prefere um médico experiente, que fez milhares de cirurgias, ou que está começando? O Brasil precisa de alguém experiente, com estabilidade, que possa garantir segurança, que seja previsível. No Brasil, hoje, na minha avaliação é o Alckmin que poderia fazer bem. O país inteiro quebrou e São Paulo passou reto.

Regiões Administrativas

É preciso que haja em cada região um comandante, uma regional que tenha autonomia, que possa definir orçamento, as concessões, as licitações feitas. É o próximo passo, que tenha uma espécie de subgovernador para gerenciar o orçamento local. Possa ter a discussão entre as autoridades da região e tomar decisões. Precisa de mais autonomia financeira e administrativa.

Tecnologia na região

A região tem muitos parques tecnológicos. Quando foram bolados, a principal atração para que desse certo é pegar ICMS retido da empresa e permitir que sacasse pra investir no parque. Isso foi feito há muitos anos, aí não foi liberado. Nossa meta é a partir de uma certa data voltar a incentivar, liberando isso, poder usar esse dinheiro que as empresas não têm acesso e aí fazerem investimento.

Focos no Vale

Essa região tem vocação para coisas especiais: tudo ligado à tecnologia, em especial a aeroespacial por causa da Embraer, e uma forte vocação turística. Não somente pelo litoral, mas o religioso. E também uma forte possibilidade logística, pela ligação com o Rio de Janeiro. São os três eixos. Criar escolas técnicas nessa área, incentivar o turismo (na montanha em Campos do Jordão, o religioso e das praias). Em uma só região são vários componentes importantes de desenvolvimento. É preciso ajudar os municípios a cuidar das cidades e planejar esse futuro.

Segurança na RMVale

Tudo tem que seguir uma regra, e a melhor é a proporção. Se o Vale representa 5% da população do Estado, por exemplo, tem que ir para lá 5% dos formandos nas áreas policiais civil e militar. Eu ouvia reclamações na Baixada sobre isso [baixo efetivo] também. Antigamente, a grande violência era em São Paulo capital, mas hoje o índice não é ruim como em todos lugares. Vamos deslocar policiais da mesma maneira de operações como Inverno e Verão, em especial nessa parte do turismo. Temos que deslocar com o fluxo das pessoas. É uma boa medida e pode ser feita.

Vale na estratégia política

Tenho muitos amigos no Vale, bons apoios, alguns prefeitos dos nosso partido. Nossa avaliação é que a gente tem muita taxa de crescimento na região, que é uma área numericamente muito grande e economicamente muito forte.

Acertos e erros da gestão

Os acertos principais são estabilidade financeira, equilíbrio fiscal. São Paulo ficou de pé mesmo na maior crise que o Brasil já teve, não atrasou salário, cumpriu seu compromisso, continuou inaugurando obras. [Tem coisa] que atrasou porque não deu tempo e não tinha recurso financeiro. Tudo que era para ser feito em ano, levou dois, três. O principal é ter tido o governo da Dilma (Rousseff) junto. Se tivesse um governo equilibrado, tinha tocado com mais rapidez. Como deu azar de pegar um governo muito ruim nacionalmente, acabou afetando São Paulo.

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