São José dos Campos
20º / 26º
No decorrer do dia o dia terá com variação de nebulosidade na região.
Viver
Abril 07, 2018 - 00:06

'Gbé ou Quando o Corpo Renasce Negro' é atração no Teatro Metrópole em Taubaté

Espetaculo Gbe_Credito Rodrigo Kees (3)

Corpo. Espetáculo de dança que investiga processos de autorreconhecimento negro

Foto: /Rodrigo Kees/Divulgação

Paula Maria [email protected]

É mais comum do que se imagina pessoas negras se acharem feias. Chamam-se morenas, bronzeadas, queimadas... É latente a dificuldade em ver a beleza de sua própria história, do convívio com familiares e amigos.

Não se fala do papel do negro na história, na literatura, no teatro, nas artes... Quase não há paralelos. Situações que acabam por gerar mais questionamentos do que enfrentamentos. E é em meio a esses lugares de ausência que Edson Raphael encontrou o seu espaço.

O ator e bailarino é criador-intérprete da peça "Gbé ou Quando o Corpo Renasce Negro", que será apresentada gratuitamente neste domingo, às 20h, no teatro Metrópole, em Taubaté. No espetáculo, uma releitura corporal do processo étnico, social e pessoal de pessoas negras, para que se reconheçam como tal.

"O projeto começou a partir das minhas vivências. Lembro-me de quando eu estudava teatro, de 100 estudantes havia apenas quatro negros. E não tínhamos registros sobre teatro negro", afirmou ele.

"Mas, para que não ficássemos apenas na minha história, me propus a entrevistar dez pessoas de diferentes idades, classes sociais, gêneros e orientações sexuais para entender como elas lidavam consigo mesmas, com seu corpo e sua história. E encontramos muitos pontos em comum", continuou o artista.

União.

A convivência familiar em que a mulher desempenha um papel tão ou mais importante que o homem é uma das características comuns encontradas. Há ainda forte religiosidade - aliás, o sincretismo religioso se faz presente.

"Gostos pessoais, mudanças de cidade e região e questões com o próprio corpo também são comuns", ressaltou Edson. "E a partir desses elementos encontrados nos relatos, fomos criando esses corpos possíveis. Nossa meta é promover uma valorização pessoal".

O espetáculo mistura dança e teatro; no cenário, as artes plásticas; na trilha sonora, músicas exclusivas. Sob o palco, além de Edson, o ator Gilberto Costa. "Percebemos algumas respostas diferentes do público. Negros têm identificação direta. Outros se sentem provocados. Ao final, sempre fazemos um bate-papo e as pessoas têm sido muito generosas em colocar situações que viveram ao longo dos anos em seus cotidianos", afirmou o artista.

"É preciso que todos entendam que se pessoas têm dificuldade de olhar no espelho, foi a sociedade como um todo que a levou a esse lugar. É preciso que lutemos todos juntos para mudar o cenário", finalizou.

Serviço.

O teatro Metrópole fica na rua Duque de Caxias, 312, Centro. A entrada é gratuita e a classificação é livre..

 

Publicidade
Publicidade
Publicidade  
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade

BRASIL

MUNDO