São José dos Campos
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No decorrer do dia o dia terá com variação de nebulosidade na região.
Editorial
Abril 16, 2018 - 22:51

Causa e consequência

Número de presos na RMVale cresceu mais de 60% em 10 anos, mas violência não recuou. É preciso atacar a causa


Literalmente, tem preso saindo pelo ladrão no Vale do Paraíba, a região com a maior taxa de homicídios em todo o estado de São Paulo. É o mostra reportagem publicada na página 8 da edição de hoje, assinada pelo repórter Lucas Tavares. No período entre 2007 e o início de 2018, um pouco mais de uma década, houve aumento de 63% no número de presos abrigados no sistema prisional da RMVale -- passando de 8.996 para 14.679 presos durante este período. Hoje, 8 das 12 unidades da região estão superlotadas, incluindo os três CDPs (Centros de Detenção Provisória), localizados em São José dos Campos, Taubaté e Caraguatatuba. E esse número cresce dia após dia. Só no último ano, por exemplo, as forças de segurança pública prenderam 10.617 suspeitos em flagrante delito ou cumprindo mandado judiciais. São 30 a cada 24 horas.

E prender resolve o problema? Dados oficiais do Estado deixam claro que não. Neste período, de 2007 até o início de 2018, houve, por exemplo, uma elevação na taxa de homicídios e também no número de ocorrências dos principais crimes contra o patrimônio -- como os assaltos, roubos e furtos de veículos.

Ouvida por OVALE, a cientista política Dora Soares foi taxativa: o alto número de presidiários só denuncia a nossa incapacidade de combater a violência.

O enfrentamento à criminalidade, como fica claro, não se faz só com segurança pública. A polícia tenta cumprir seu papel, com as dificuldades que tem, e enxugar gelo. Prende um suspeito de tráfico hoje e amanhã outro já está ali no mesmo lugar. Já o sistema prisional, por sua vez, não consegue -- com raras exceções -- recuperar quem nele entra.

Podemos dizer que a segurança é como um navio e a violência é a água que invade o casco. Cabe à polícia, com canecas e baldes, tentar retirar o excesso de água e evitar o naufrágio. O colapso. A cadeia é o remendo.

Mas, a verdade é que são tantas crateras... e o problema não será realmente combatido enquanto a sociedade mantiver o foco apenas nas consequências e não nas causas. Elas envolvem desigualdade social, falta de equipamentos sociais e muito mais.

E é urgente. Porque a água está batendo no pescoço....

 

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