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Março 09, 2018 - 22:44

Editoras apostam em livros que mostram para meninas que elas podem ser o que quiserem

Clarice Lispector

Admiração. 'Gosto de com Clarice Lispector se empenhou em seguir sua profissão, seu ofício. Embora vivesse uma vida luxuosa na Espanha, deixou seu marido para voltar ao seu amado país. Ou seja, ela se 'desprincesou', tirou o vestido, a coroa e voltou a sua terra como uma trabalhadora para dar ao povo seu amor a arte', disse Nadia Fink

Foto: Divulgação

Paula Maria [email protected]

Falar de diversidade, do que a mulher pode ser e representar não é tarefa fácil. Na literatura adulta é possível encontrar inúmeras personagens femininas seguras de seu papel. Já na infantil a coisa muda um pouco de figura. Não é incomum encontrar estereótipos equivocados.

E é para burlar esse sistema, que editoras têm apostado em uma literatura feminista com o intuito de mostrar às meninas que elas podem ser o que quiserem.

A editora argentina Chirimbote lançou a coleção "Antiprincesas". Longe da mocinha que espera o príncipe salvá-la, as obras tratam de histórias reais de mulheres de verdade que conseguiram cruzar as fronteiras. São pintoras, escritoras, artistas, cantoras...

"A ideia surgiu a partir das marchas 'Ni una menos', contra o feminicídio. Nesse contexto, começamos a pensar na geração de meninos e meninas que têm como referência literaturas com princesas tolas e super-principes", afirmou Nadia Fink, autora dos livros.

"A indústria cultural quer imprimir em nós um papel passivo, enquanto os homens são a salvação. E o conceito do 'Antiprincesas' é rejeitar essa cultura e expressar o desejo feminino de empoderar-se", continuou.

Nesse contexto, a Mulher Maravilha é bacana, sim, mas também a escritora Clarice Lispector, Frida Kahlo, a cantora chilena violeta Parra e a soldado Juana Azurduy, entre outras que estão retratadas nas obras. No Brasil os livros podem ser encontrados pela Editorial Sur Livro.

Força feminina.

Na mesma linha de mostrar mulheres empoderadas, a V&R Editoras lançou "Histórias de Ninar Para Garotas Rebeldes"; a Record lançou "50 brasileiras incríveis para conhecer antes de crescer" e a editora Blucher lançou "As Cientistas: 50 mulheres que mudaram o mundo", de Rachel Ignotofsky.

"Rachel tinha o projeto de ilustrar mulheres importantes, e em determinado momento se tornou relevante transformar o projeto em livro, incluindo as biografias e outras informações relevantes para inspirar meninas e jovens", contou bonie Santos, coordenadora da produção editorial da Blucher.

"Nos apaixonamos pela forma como a autora aborda cada cientista, a ordem cronológica abarcando diversas épocas, a maneira lúdica como ela apresenta os textos e as imagens... É um projeto de grande importância para as meninas brasileiras, especialmente para inspirá-las a seguirem seus sonhos em carreiras científicas".

Mudando o mundo.

Para ambas editoras, a literatura tem papel fundamental tanto na forma das meninas entenderem o seu papel no mundo quanto da sociedade começarem a enxergá-las livres de estereótipos.

"Ainda falta muito. Por sorte, há diversas iniciativas como a da Rachel e de tantas autoras e das editoras estrangeiras e brasileiras, e o cenário aos poucos está mudando. As meninas começam a tomar contato com histórias de mulheres que enveredaram por caminhos que elas talvez nunca tivessem imaginado", avaliou Bonie.

"O mercado editorial é complexo, combina negócios com cultura. E um país não pode crescer culturalmente se continuar a ser gerido só por empresários. O mercado destrói ideias especialmente se forem contra-hegemônicas. Mas, felizmente, fomos capazes de criar um mercado alternativo", disse Nadia.

Ou seja, um passo de cada vez e chegaremos lá..

 

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