São José dos Campos
20º / 26º
No decorrer do dia o dia terá com variação de nebulosidade na região.
Viver
Fevereiro 06, 2018 - 22:05

Crowdfunding é opção de financiamento de projetos culturais

Mostra Queermuseu

Mostra Queermuseu

Foto: Divulgação

Paula Maria [email protected]

Envolta em controvérsias desde a sua estreia, a exposição Queermuseu pode ganhar espaço no Rio de Janeiro. A Escola de Artes Visuais do Parque Lage criou uma campanha de financiamento coletivo para que a mostra de arte seja realizada.

Fechada no ano passado, a exposição, que estava em cartaz no Santander Cultural de Porto Alegre, foi criticada por supostamente trazer quadros que representavam "imoralidade", "blasfêmia" e "apologia à zoofilia e pedofilia". Eram, ao todo, 270 obras oriundas de coleções públicas e privadas e que exploravam a diversidade de expressão de gênero.

O custo total para a realização da nova exposição na capital fluminense é de R$ 690 mil. Até o fechamento desta edição, R$ 110.384 já tinha sido arrecadado dentro da plataforma de crowdfunding Benfeitoria.

A meta da EAV é inaugurar a exposição em maio. A contribuição mínima para interessados em ajudar é R$20 e o colaborador terá seu nome eternizado num catálogo contra a censura e receberá uma arte digital com a identidade visual da campanha.

A campanha de arrecadação jogou luz no financiamento coletivo como alternativa para a execução de projetos culturais.

"A dinâmica do crowdfunding não é recente, pelo contrário. Podemos citar como exemplo a campanha nacional feita para a construção do Cristo Redentor, em meados de 1920, que contou com a colaboração das pessoas de maneiras variadas e trazia algumas recompensas", afirmou Léo, porta-voz da Benfeitoria, que desde a sua a sua fundação ajudou a realizar mais de 1.100 projetos num total de R$ 11 milhões arrecadados.

Segundo Léo, o contexto digital facilitou o processo e tornou a dinâmica mais prática e diversificada. "A primeira grande plataforma de financiamento coletivo foi a americana Kickstarter, que surgiu em 2009, mas em 2007 já tínhamos a Indiegogo, que inicialmente era voltada para o cinema independente. Já no Brasil tivemos, em 2011, o lançamento da Benfeitoria e do Catarse", continuou.

NÚMEROS.

Tanto nas plataformas internacionais quanto nas brasileiras é possível observar grande quantidade de projetos relacionados a arte e a cultura sendo financiado pelas pessoas.

Segundo o "Huffington Post", em 2015, a Kickstarter havia financiado US$ 600 milhões em projetos de arte, enquanto o National Endowment for Arts do governo americano US$ 146 milhões. Mas, de acordo com Kluk Magri Neto , professor do curso de Produção Cultural da FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado), a realidade brasileira é diferente.

"O Kickante, uma das primeiras plataformas de crowdfunding no país e que afirma ser a maior, financiou R$ 57 milhões em projetos, incluindo os de arte e cultura desde a sua fundação, em 2013. Para se ter uma ideia, somente o orçamento de renúncia fiscal da Lei Rouanet, tradicional mecanismo de financiamento à cultura vigente no Brasil, ultrapassa a casa de R$ 1 bilhão a cada ano", comparou.

Mas apesar da enorme diferença em volume, para ele, "o crowdfunding tem sido usado com sucesso por produções e projetos de pequeno porte, que conseguem se financiar diretamente com as pessoas físicas pelo seu apelo e pelas recompensas que oferecem como prática aos financiadores".

Candice Pascoal, CEO da Kickante, acaba de lançar o seu livro, "Seu Sonho Tem Futuro", por meio de financiamento coletivo. O obra entrou para a lista dos mais vendidos do país em outubro.

"Quando eu trabalhava na indústria da música, pude detectar a queda de diversas empresas da área por não saberem como lidar com o mundo digital. Era uma época na qual fazia também um trabalho de consultoria de arrecadação de fundos para as ONGs, como Médicos Sem Fronteiras, Cruz Vermelha e Anistia Internacional. Naquele momento, percebi que tudo era feito com um custo enorme, o que acabava inviabilizando a arrecadação em massa para a maioria das instituições", contou.

"Foi aí que identifiquei o potencial do crowdfunding, pois através dele qualquer pessoa pode arrecadar fundos e tirar seus projetos do papel. Empolgada com o poder transformador e social dessa ferramenta, decidi investir no segmento no Brasil", continuou.

Na Kickante, 30% das campanhas são referentes a causas sociais; 30% estão ligadas a cultura e artes; e 40% empreendedorismo e iniciativas diversas. O segredo do sucesso? "Uma história bem contada", cravou.

desafio.

Para Magri Neto não há desvantagens no uso do financiamento coletivo. "O sucesso depende da capacidade dos proponentes em fazer campanha nas redes para atrair os financiadores (responsabilidade do usuário). Tem de saber comunicar bem o projeto, seus propósitos e suar a camisa na divulgação".

Para ele, se o projeto tiver um grande apelo junto ao público pode conseguir se financiar até por meio de contribuições que se aproximem muito das doações (aquelas que tem como recompensa apenas um "muito obrigado" ou o nome do financiador nos créditos do site do proponente). "Outros precisam pensar bem nas recompensas oferecidas para atrair os seus financiadores", explicou.

Além de plataformas para projetos culturais, algumas trabalham com nichos específicos relacionadas a sustentabilidade e a defesa dos animais, por exemplo..

 

Publicidade
Publicidade
Publicidade  
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade

BRASIL

MUNDO