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Editorial
Fevereiro 07, 2018 - 22:59

UM 'PROJAC' DA POLÍTICA

Práticas adotadas pela classe política deixam claro que o eleitor, seduzido pelo marketing, pode levar gato por lebre


Qual é a distância entre os mundos real e imaginário no universo político? Sim, a política é divida entre a realidade, que se mostra sem maquiagem ou disfarce ao longo do dia a dia, e a fantasia cenográfica encenada, com um deprimente ar de cinema pastelão, pelos aspirantes aos poderes Executivo e Legislativo durante a maratona pelo voto do eleitor, travada a cada dois anos. Se a vida real mostra políticos encastelados em seus gabinetes, rodeados por seus asseclas e disfrutando de suas regalias, o 'Projac' do marketing exibe verdadeiros salvadores da pátria que percorrem as ruas das cidades, beijando as crianças, sorrindo e acenando para o povo, oferecendo soluções mirabolantes para os problemas da sociedade e defendendo com todo vigor a ética e a moral.

Qual é a distância entre esses dois mundos tão opostos?

Se na política imaginária das propagandas eleitorais, aquela capaz de transformar políticos ligados a escândalos em verdadeiros santos, a prioridade é a defesa dos fracos e oprimidos, é o interesse do eleitor, do bem comum, já no mundo real, despido da cantilena insuportável dos jingles publicitários, a prática é outra, muitas vezes, com o interesse pessoal tornando-se o foco do mandato.

O ideal, sem dúvida, seria que os nossos nobres representantes fossem sinceros sobre suas reais intenções já na campanha eleitoral, para que os eleitores, tão cansados ao longo dos anos de serviços mal prestados, não comprassem gato por lebre.

Conforme revelou OVALE, na edição do dia 1º de fevereiro, a Mesa Diretora da Câmara protocolou, de última hora, projeto que prevê reajuste de 19% no salário dos secretários do prefeito de São José dos Campos, Felicio Ramuth (PSDB). Questionado sobre a proposta, que possui sua assinatura e ainda a de mais nove parlamentares, o experiente vereador Walter Hayashi (PSC), disse: "Preciso ler direitinho ainda. Não cheguei a ler direito". Assinou sem ler?

Robertinho da Farmácia, que é do PPS, saiu-se com essa frase ao defender o reajuste.

"Um secretário precisa ganhar bem. Eu não aceitaria esse valor (R$11.226,23) para ter um cargo com tanta responsabilidade", disse o vereador.

Em Taubaté, o vereador Diego Fonseca (PSDB), presidente da Câmara, defende que os gastos de dinheiro público sejam mantidos em sigilo. Absurdo.

Por que será que nossa classe política não defende durante a campanha medidas tão comuns no dia a dia do noticiário político? Já imaginou? "Eu defendo a contratação de parentes". Ou "se eleito, vou elevar meus próprios salários e dos secretários municipais". Quem sabe o discurso "eu voto pela aprovação da taxa de luz"? Difícil né.

Neste ano, mais uma vez, nossos eleitores serão convocados para escolher os seus representantes. É importante fiscalizar e cobrar os nossos políticos.

Qual é a distância entre o mundo real e o Projac do marketing político? É a diferença existente entre o discurso e a prática.

Nós estamos de olho..

 

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