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Janeiro 30, 2018 - 23:11

Projeto faz campanha contra assédio nos games

capa viver

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Foto: Divulgação

Paula Maria [email protected]

"Sua prostituta! Eu vou comer seu **!"; "Direitos das mulheres não existem!"; "O seu lugar é na cozinha"; "Você só é boa para fazer sexo!"; "Cala a boca! Você é uma menina! Mulheres não podem falar". Diante de tanto insulto, enfrentar monstros zumbis, terroristas ou mercenários é fichinha.

E é exatamente esse tipo de bullying que ocorre em uma das maiores indústrias do mundo: a de games. Precisamente em jogos on-line, quando há vários jogadores imersos simultaneamente na mesma partida.

Segundo estudo publicado pela Universidade Estadual de Ohio (EUA), 100% das mulheres que jogam game por pelo menos 22 horas semanais já sofreram algum tipo de assédio.

Para fugir de xingamentos machistas, piadas sexuais e propostas indecorosas, muitas jogadoras optam por usar nomes masculinos ou neutros nas partidas e evitar chat ou microfone como forma de comunicação com demais jogadores.

É o caso da estudante Maitê Andrine, 20 anos, de Taubaté, que um dia foi "Sweetheart" e hoje loga com um nick (nome) qualquer, como "Ben10". "Nomes femininos nunca mais", crava ela, que começou a jogar quando criança por influência de seu pai e hoje usa o videogame para se desestressar. "Jogo como hobby", disse. "Já passei tanta raiva... Me mandaram voltar para a cozinha, me chamaram de gorda, de feia. Depois que optei por usar nome masculino, os insultos diminuíram muito".

A adestradora Nina Oliveira, 26 anos, de São José, também já passou muita raiva. Hoje, por ter uma turma de amigos jogadores, casos de insultos e assédios são mais raros. "Meus nicks são neutros, como 'nyx', mas jogo com microfone aberto, então é possível saber que é uma garota jogando", contou. Nina já ouviu pérolas do tipo: "Ela joga bem, aposto que é feia". "Isso quando os caras não ficam conversando entre eles e me ignoram em momento críticos do jogo", lembrou.

Campanha.

Foi para escancarar esse tipo de assédio e bullying que a organização americana Wonder Woman Tech, em parceria com a Woman Up e a Boot Kamp, criou um projeto batizado com a hashtag #MyGameMyName (Meu Jogo Meu Nome, em livre tradução do inglês).

No vídeo promocional, 30 youtubers brasileiros foram convidados para um experimento: jogar com nicks femininos. Entre eles, Davy Jones ("Gameplayrj") e Febatista. Os relatos - nada agradáveis - podem ser vistos no site do projeto.

"É um pequeno primeiro passo para um grande passo no futuro", afirmou em vídeo a carioca Nicole Mehry ("Cherry Gumms"), uma das embaixadoras da ação.

O joseense Fernando Domingues, 27 anos, do canal "StereOnline", que ajudou Nicole no início da carreira de gamer, afirma que sabia que as meninas eram discriminadas, mas não tinha noção do quão tóxicos e agressivos eram os comentários.

"Dentro de jogos on-line existe um espaço chamado 'trash talk', ali são lançadas ali para desestabilizar o seu oponente. Mas casos de assédio são doentios", afirmou o gamer cujo canal conta com mais de 520 mil inscritos.

"A campanha é válida para inibir qualquer tipo de ofensa que fuja do que é permitido no 'trash talk'. Mulheres sempre serão bem-vindas e as trato como jogadoras iguais a mim", continuou.

Extra.

Em tempo, mais da metade dos gamers do mundo são mulheres. Para saber mais acesse: http://mygamemyname.com..

 

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