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Editorial
Janeiro 29, 2018 - 23:06

TEATRO NA TELEVISÃO

Temer faz ofensiva em programas populares, mas evita falar de temas polêmicos que assolam o seu governo


Fora do microfone, o presidente Michel Temer (MDB) se dirige a Silvio Santos. "Posso dar dinheiro para você aqui?", pergunta . Em seguida, entrega uma cédula de R$ 50 ao apresentador e empresário, proprietário do SBT (Sistema Brasileiro de Televisão).

O tom de brincadeira, no entanto, esconde a seriedade da questão. Michel Temer reforçou a agenda de entrevistas em programas populares, uma estratégia para diminuir a resistência sobre o assunto. Além de Silvio Santos, o emedebista falará a Ratinho (SBT) e Amaury Jr. (Band).

A escolha do verbo 'falar', no parágrafo acima, não é por acaso. O presidente da República vai a esses programas apenas para falar o que deseja, sem qualquer contraponto mais crítico dos apresentadores. Muito menos esclarece as dúvidas que milhões de brasileiros guardam em casa.

Não houve também qualquer questionamento sobre a crise política e os recentes casos de corrupção que assolam o governo? Nada! A pluralidade de ideias, que deveria nortear a comunicação de massa, foi chutada para escanteio.

O teatro, que terminou com a entrega de R$ 50 a Silvio Santos, ilustra bem esse governo, que prefere oferecer cifras a esclarecer com embasamento técnico e teórico.

Em entrevista à Rádio Bandeirantes ontem, Temer ainda afirmou que não vai admitir "mais que se diga impunemente que o presidente é trambiqueiro", afirmou. "Meus detratores estão na cadeia ou desmoralizados", completou.

Finalizou dizendo que pretende deixar um legado. "Quero ter um reconhecimento histórico", encerrou o presidente da República.

O resultado da ofensiva de mídia de Temer é incerto. A reforma da Previdência não convenceu sequer os deputados da base aliada. De garantido mesmo só que o emedebista será lembrado pela História. Será o primeiro presidente na história do país denunciado por corrupção durante o exercício do cargo.

Um gestor que prometeu um ministério de notáveis e entregou ministros como Romero Jucá, Geddel Vieira Lima, Moreira Franco e Henrique Eduardo Alves, todos denunciados pela PGR (Procuradoria-Geral da República).

Nada disso (incluindo os pontos polêmicos da reforma da Previdência), foi respondido nos programas de televisão..

 

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