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Dezembro 19, 2017 - 23:38

Vida longa ao LP: vinil vive fase de renascimento

vinil

Experiência. Quase 200g de disco nas mãos, poder colocá-lo no toca-discos, observar as artes nele estampadas em 31x31cm, ler o encarte e a contracapa, trocar de lado e ouvir um som muito mais interessante do que o digital... Quem resiste?

Foto: Divulgação

Paula Maria [email protected]

Acaba de chegar às lojas o LP "Sinais do Sim", disco recém-lançado pela banda Paralamas do Sucesso. "Estávamos pensando se ainda vale a pena colocar no mercado um álbum com muitas músicas ou se seria melhor lançarmos várias na web", revelou o baterista João Barone. "Mas somos meio 'vintage'. E é uma sensação muito legal ter um LP em mãos. Ainda mais depois de tudo o que esse objeto significou para a música".

Ainda que a aposta soe curiosa ao público jovem interessado em MP3, o lançamento dos Paralamas faz parte de um movimento crescente: o retorno dos vinis. Além deles, Pitty, Nação Zumbi e Criolo são alguns dos que têm colocado suas fichas na antiga mídia.

"O retorno do formato em escala industrial é realidade há anos. Hoje, praticamente todos os artistas de ponta lançam seus álbuns nas plataformas digitais e também em vinil", afirmou João Paulo da Silveira Bueno, ou JP Bueno, como é conhecido na cena musical, proprietário da Casa da Mia Discos (loja itinerante e virtual de LPs); autor do blog "1 Disco Por Dia Até o Fim Do Mundo" e realizador da Feira de Discos de São José dos Campos.

Segundo ele, a paixão pelos discos é algo relativamente recente. "Podemos considerar que as primeiras e mais importantes coleções de vinis vieram na década de 1960 e 1970. E, com o crescimento exponencial da indústria fonográfica, a quantidade de lançamentos cresceu violentamente", afirmou.

Paixão.

Para os apaixonados pelos LPs, o formato carrega em sua concepção a ideia original de artistas e produtores. "O MP3 tem um som mais 'achatado' e condensado, enquanto o vinil é mais indicado para sons em mono ou com bastante variação entre graves, médios e agudos", explicou Bueno.

Até 2016, a Polysom era a única fábrica operando na América Latina. E, 30 anos após encerrar sua produção, a Sony anunciou em junho deste ano que voltará a produzir vinis.

"Creio que a maioria dos artistas nunca deixou de se interessar pelo vinil. Trata-se de algo que os agrada muito. As artes são valorizadas e a audição é glamurizada", afirmou João Augusto, consultor da Polysom.

Fundada em abril de 1999, a fábrica de Nilton Rocha e José Rosa surgiu justamente quando a indústria fonográfica abandonava o formato para investir em CD (compact disc). Com a mudança no mercado, foi facilitada a aquisição de antigos equipamentos das fábricas que iam sendo desativadas, como a Polygram e a Continental. Mas, devido a dificuldades, a Polysom se viu obrigada a fechar as portas em 2007.

No entanto, na segunda metade de 2008, os proprietários da Deckdisc, de olho na crescente procura pela antiga mídia, adquiriram o maquinário da fábrica e resolveram reativá-la.

"O que motivou a Deck a reativar a Polysom em 2009 foi a necessidade de produzir seus próprios títulos no formato vinil. Não foi por saudosismo, mas pela vontade de se utilizar de mais um formato para divulgar a música que produzia", contou João. "Num segundo momento, a Polysom passou a andar com as próprias pernas até se transformar na fábrica de alta qualidade que é hoje".

Ainda segundo o consultor, quando a fábrica foi reativada, havia 42 fábricas no mundo. Hoje, nove anos depois, são computadas 68 fábricas. "Esses números mostram bem que o formato só tende a crescer. As feiras estão cada vez mais cheias e as lojas com maior número de títulos disponíveis", cravou.

Público.

Mas afinal, quem compra vinil? "Hoje o público consumidor é bem variado, vai de homens acima dos 40 anos até moças e rapazes com 20 e poucos. Em muitos casos, pai e filho saem em busca de discos para suas respectivas discotecas", disse Bueno.

Aos saudosistas amantes de vinis, ele revela: "nossa intenção é manter em São José um evento como a feira de discos a cada três meses na cidade, sempre contando com atrações especiais não só para os fãs dos discos, mas também para toda a família"..

 

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