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Política
Dezembro 30, 2017 - 07:33

Felicio avalia primeiro ano à frente do Paço e desenha cenário favorável para 2018

Entrevista - Felicio Ramuth

Entrevista - Felicio Ramuth

Foto: Rogério Marques / OVALE

Em entrevista exclusiva, prefeito de São José diz que 'aperto dos cintos' em 2017 vai possibilitar melhoria dos serviços na cidade

João Paulo [email protected]

Felicio Ramuth (PSDB) nasceu em São Paulo, mas faz política à moda mineira. Guarda nome de ouvintes de rádio e não recusa convites para almoços na periferia de São José dos Campos. Esta não é a única contradição do prefeito, que completa o primeiro ano de mandato nesta segunda-feira.

Em 12 meses à frente do Paço Municipal, confiou decisões importantes a seus assessores mais próximos, mas gosta de exercer o poder. Quer ler documentos e questionar secretários via WhatsApp. "Aquele celular dele é o capeta. É cobrança a toda hora. Tudo centralizado nele", disse um aliado.

Felicio também não escapa das contradições no discurso. Embora diga que sua equipe foi montada tecnicamente, recorreu ao fisiologismo em algumas nomeações. Alocou, por exemplo, a ex-secretária Maria Emília Cardoso no segundo escalão.

Prometeu não interromper obras e ações do governo Carlinhos Almeida (PT), mas 'tirou o pé' em programas como "Escola Interativa" e reforma do Teatrão.

Nesta entrevista, em seu gabinete, Felicio ousou contrariar até Tancredo Neves -- símbolo da política mineira--, que dizia que "não se tira o sapato antes de chegar ao rio". Sem os sapatos, só de meias, o tucano recebeu a reportagem de OVALE para avaliar o primeiro ano da gestão.

O prefeito acredita que, após as dificuldades iniciais do mandato, o rio está mais próximo. Resta saber se conseguirá nadar de braçada.

O primeiro ano foi mais difícil do que imaginava?

Tínhamos uma expectativa, criada com o trabalho feito na transição. É óbvio que surpreendeu ter conhecimento dos números da dívida e situação de equipamentos públicos.

Que avaliação faz deste ano?

A avaliação quem faz é a população, mas minha análise é que trabalhamos bastante e superamos muitos problemas. Até para que pudéssemos chegar ao fim de 2017 com uma perspectiva muito boa para o próximo ano.

Qual foi o foco de 2017?

Tínhamos uma situação de caos na saúde, com serviços parados. Foi nossa primeira dificuldade e nossa primeira prioridade. Não acredito que tenha havido alguém que visitou mais UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e UPAs (Unidades de Pronto Atendimento) do que eu. Em um ano, já visitei mais que outros prefeitos. Nossa primeira prioridade era resolver o caos na saúde e investir para melhorar o sistema. Renegociamos todos os contratos com as entidades na quantidade necessária. Focamos no atendimento nas UBSs. Em 2018, os desafios são na área de especialidades e exames.

Ainda existem dívidas com fornecedores?

Iniciamos o ano devendo conta de água, conta de luz, conta de telefone. Eram mais de 500 credores. Terminamos o ano sem dever nada.

Laudos da nova UBS do Novo Horizonte dão a impressão de que há dívidas com a Urbam, que fez a obra.

Não. De forma alguma. Se eu fosse atrasar para alguém, não seria para a Urbam. Eu estaria atrasando para a própria prefeitura. Não estamos devendo.

O senhor enfrentou episódios desgastantes, como o corte da orquestra e a lei dos malabares. Como avalia esses momentos?

A função do prefeito não é só oferecer boas notícias. O gestor, às vezes, precisa tomar atitudes duras. Foi o que ocorreu com a orquestra. Precisávamos economizar em todas as áreas, dar exemplo, mostrar que a cidade estava querendo evitar gastos desnecessários, ou não prioritários. No caso da lei dos malabares, resolvemos enfrentar o problema e conseguimos solucionar.

Mas ainda há malabaristas e vendedores nos semáforos.

Raramente. Há lei e fazemos valer. Sempre que tiver denúncia, a GCM pode abordar.

E o episódio de Praia Grande (SP), em que o senhor é acusado de participar de licitação fraudulenta?

Não houve uma exposição minha na rede social na época, mas vou responder a Ministérios Públicos, oferecer as devidas explicações sempre. Faz parte da rotina do gestor público. Pela prefeitura, existem questionamentos sobre radares, resíduos sólidos e tudo isso faz parte. O gestor precisa esclarecer. Temos muita tranquilidade, pois estamos fazendo a coisa certa, do jeito certo. E tem a questão pessoal do prefeito. Sempre que for necessário, vou responder.

A internet é mais aliada ou vilã? O senhor chegou a processar internautas.

A internet é mais uma ferramenta de comunicação. Falamos que existe a sociedade civil, mas agora existe a sociedade incivil. Faz parte do jogo. Estar na internet é reconhecer esse jogo. Mas toda ferramenta de comunicação sempre será aliada. É o mesmo que dizer que o jornal não é aliado só porque critica o governo. Mas tem um grupo só com o objetivo de denegrir ou falar mal. Ao mesmo tempo, há um grupo de apoiadores. Temos que prestar atenção no meio desses dois grupos, que é o cidadão comum, que às vezes quer pedir, dar sugestão ou contar algo.

Quais os projetos mais polêmicos do Executivo?

Temos uma relação bastante transparente e de confiança com a Câmara. A gente faz reuniões semanais justamente para que se aponte defeito nos nossos projetos. Quando o projeto vai à Câmara, há a exposição dos projetos consolidados nestas reuniões. Os vereadores da oposição, às vezes, não concordam.

E o projeto de mudança no Instituto de Previdência do Servidor e o da Taxa do Lixo?

Na questão do Instituto, houve atuação da oposição para difundir informações que não correspondiam à realidade. Depois, tivemos oportunidade de mostrar o outro lado. Ali, existiu uma pressão sobre nossos vereadores.

Faltou diálogo?

O projeto de lei do Instituto atinge toda a população, mas o maior público é o de servidores. Por questão estratégica e para não expor os servidores, resolvemos focar nossa comunicação só com servidores. Estrategicamente, resolvemos não ampliar o debate para toda a cidade.

E o aumento da Taxa do Lixo?

Era uma taxa que estava há muitos anos sem qualquer adequação. A Taxa de Lixo foi criada para pagar os custos do serviço. Ela não pagava nem um terço. Trata-se de um serviço e não um imposto. Um serviço não tem distinção social. Diferentemente do imposto.

Qual a sua expectativa em relação ao Plano Diretor?

O Plano, embora o governo anterior tenha começado, conseguimos pegar as rédeas para oferecer o maior número de oficinas e fazer o melhor diagnóstico. Até julho, vamos apresentar à Câmara o Plano como lei. O desafio que fica para o fim de 2018, começo de 2019, com o novo zoneamento. Aí é uma situação mais delicada, porque envolve interesses da cidade, de desenvolvimento..

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