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Economia
Dezembro 23, 2017 - 01:15

Embraer vê parceria com a Boeing como oportunidade de 'voo global'

Embraer

EMBRAER. Companhia de São José dos Campos despertou o interesse da gigante norte-americana Boeing.

Foto: /Divulgação

Reportagem de OVALE apurou junto a fontes na Embraer de que o negócio com a Boeing é encarado como uma cooperação, com objetivo de criar 'o maior conglomerado de aviação do mundo'; Ozires Silva defende parceria

Xandu [email protected]

A Embraer encara a parceria com a gigante norte-americana Boeing como um terceiro ciclo de desenvolvimento da empresa em sua história, que começou em 1969.

Nesta quinta-feira, a notícia de que as companhias estão em tratativas para uma 'potencial combinação de seus negócios' chacoalhou o mercado e projetou o que poderá vir a ser o maior conglomerado do mundo em aviação.

OVALE apurou junto a fontes na Embraer de que o negócio é encarado como uma cooperação entre as fabricantes, e não uma aquisição de uma pela outra, como chegou a ser divulgado nesta quinta.

Se concretizada, tal parceria entrará na história da Embraer como seu terceiro ciclo de desenvolvimento. Os dois ciclos anteriores são a fundação da companhia, em 1969, e a privatização, em 1994, quando a Embraer esteve à beira da falência.

MERCADO.

A lógica por trás do negócio é de potencializar ambas as empresas, que não competem em mercados comuns. E fazer frente ao consórcio europeu Airbus, principal rival da Boeing, que comprou fatia majoritária do programa de aeronaves regionais C Series da Bombardier, maior concorrente da Embraer.

Juntas, Boeing e Embraer poderão garantir a liderança em seus respectivos nichos de mercado: a primeira nas aeronaves de longa distância e a segunda, com seus jatos para a aviação regional.

A união ainda criaria uma terceira cadeia produtiva de valor na indústria aeroespacial, que hoje já conta com a China e o conglomerado europeu (Airbus) agora reforçado com os canadenses.

VENDAS.

"O Brasil tem que pensar grande. Não podemos pensar pequeno. O ano de 2018 vem aí e temos que fazer mais pelo país", disse a OVALE o fundador da Embraer, o engenheiro Ozires Silva, defensor da parceria com a Boeing.

A vantagem seria a de aumentar a capacidade da Embraer nas áreas de vendas, marketing e de penetração no mundo da aviação global, tornando a empresa brasileira efetivamente globalizada.

Dentro da Embraer se fala em "momento histórico" e de um impulso sem precedentes na capacidade de negociação da companhia.

Com seus cerca de 4.000 engenheiros, a Embraer, segundo apurou OVALE, se destaca no cenário internacional nessa área e a parceria com a Boeing pode culminar em uma mistura de produtos entre as empresas, com aviões da americana usando componentes feitos pela Embraer.

Fundador da empresa, Ozires Silva aprova negociação com a Boeing e fala em avanço

O engenheiro Ozires Silva, fundador da Embraer em 1969, disse que um eventual acordo com a Boeing será benéfico para a fabricante brasileira, e também para o país. "Não se trata de uma compra da Embraer pela Boeing. Eles estão propondo uma parceria. Não é uma coisa ruim, ao contrário. É uma proposta muito honrosa para a empresa", afirmou Ozires, que é colunista de OVALE.

Segundo ele, os elogios recorrentes da Boeing à capacidade dos engenheiros da Embraer revela o interesse da companhia. "Eles querem uma parceria, pois estão com dificuldades na área técnica deles".

O fundador da empresa até se permitiu brincar com a situação. "Não há negociação para a Boeing comprar a Embraer. Vai que a Embraer compre a Boeing?", disse, por telefone.

Ozires Silva lembrou que uma parceria com a Boeing será boa para enfrentar a Airbus e a Bombardier, que se uniram. "Não tem como concorrer com o mercado europeu. E a Boeing também precisa de apoio técnico para concorrer com eles. A parceria vai ser boa para o Brasil".

Temer: 'transferência do controle' da Embraer está fora de cogitação

O presidente Michel Temer afastou a possibilidade de venda da Embraer. Em café da manhã com jornalistas, no Palácio da Alvorada, o presidente e o ministro da Defesa, Raul Jungmann, disseram que a transferência do controle da empresa para a Boeing não é cogitada. "Toda parceria é bem-vinda. O que não está em cogitação é a transferência do controle", disse Temer.

Jungmann explicou que o governo vê com bons olhos o interesse de outras companhias em fazer parcerias com a Embraer, mas não cogita autorizar sua venda porque a empresa está no centro de um projeto de soberania nacional.

Ele disse que, caso fosse vendida, uma empresa estrangeira passaria a ter controle de projetos importantes para o país como o programa dos caças Gripen NG, dos caças Embraer EMB-314, chamado de Super Tucano, além da transferência de tecnologia relacionada ao satélite estacionário brasileiro.

"Isso tudo é soberania e interesse nacional, nós não podemos negociar soberania e interesse nacional. No entendimento deste governo do presidente Temer, soberania é inegociável. Agora, todo o restante, que seja bom para a empresa, que ajude a aumentar as vendas, será bem-vindo", disse o ministro. A Boeing procura na Embraer fôlego no mercado para fazer frente às gigantes do setor, Airbus e Bombadier, que anunciaram, em outubro, uma sociedade para produção de jatos comerciais. Embraer e a Boeing informaram que estão em tratativas para uma "potencial combinação". As bases ainda estão em discussão..

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