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Dezembro 01, 2017 - 02:13

Facção pagava 'mensalão' para a polícia liberar tráfico, diz Gaeco

Fachada da DIG

Fachada da DIG

Foto: Rogério Marques/OVALE

PCC (Primeiro Comando da Capital) dava propina mensal para dezenas de policiais civis deixarem o tráfico de drogas ocorrer livremente no Campo dos Alemães, na região sul. Justiça determinou a prisão dos 36 acusados

Da Redaçã[email protected]

Mais temida facção criminosa do Brasil, o PCC (Primeiro Comando da Capital) pagava um 'mensalão' para dezenas de policiais civis de São José dos Campos, com o objetivo de garantir o 'livre comércio' de drogas nas biqueiras localizadas no bairro Campo dos Alemães, principal reduto do tráfico na zona sul da cidade.

É o que mostra a denúncia do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), apresentada à Justiça e que levou ontem à decretação da prisão preventiva de 36 acusados, incluindo 30 policiais civis, pelo TJ (Tribunal de Justiça) de São Paulo (texto nesta página).

Por meio de interceptações telefônicas, autorizadas pela Justiça, o MP (Ministério Público) descobriu que o bando liderado por Lúcio Monteiro Cavalcante, líder do PCC na área, pagava propina para os policiais, que em troca deixavam o tráfico 'correr livre'.

A ação durou, ao menos, de agosto de 2015 até hoje.

"Inédito. Nunca houve uma denúncia como essa na história, com 30 pessoas de uma só cidade envolvidas. É uma coisa que extrapola qualquer expectativa. Muito preocupante",afirmou ao OVALE o ouvidor da Polícia do Estado, Julio Cesar Fernandes Neves.

CORRUPÇÃO.

A propina do tráfico era paga mensalmente -- às vezes, até quinzenalmente -- a policiais lotados na Dise (Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes), que era inclusive apelidada de Casa Grande, em razão da sua importância estratégica, na DIG (Delegacia de Investigações Gerais), no Garra (Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos) e também no 3º e 7º DPs (Distritos Policiais), localizados na zona sul.

"Está normal [tráfico na área do Campo], os caras [traficantes] pagou (sic) a polícia lá", disse um traficante ao comparsa em um dos telefonemas interceptado pelo Gaeco.

O esquema continuou inclusive após a morte de Lúcio, ocorrida em março de 2017, durante confronto com a Polícia Militar no Anel Viário de São José.

PROPINA.

Entre os meses de novembro e dezembro de 2015, por exemplo, o Garra recebeu R$ 33 mil. Já a Dise, recebeu R$ 25 mil no mês de novembro daquele ano. Na DIG, foram R$ 80 mil no período entre os meses de outubro de 2015 e janeiro de 2016.

Em uma gravação, um traficante diz que não está 'trabalhando' porque estava 'trocando ideia' com policiais e que 'queria mandar eles saírem fora' e voltarem à noite 'para receber'. A denúncia, ajuizada em outubro na 3ª Vara Criminal, acusa um ex-policial, uma advogada e quatro traficantes, além dos policiais.

Estado informa que 24 dos 30 mandados de prisão dos policiais foram cumpridos

A Secretaria de Segurança Pública do Estado informou, em nota, que até o fim da tarde desta quinta-feira, foram cumpridos 24 dos 30 mandados de prisão preventiva de policiais que atuavam em São José decretada pelo TJ (Tribunal de Justiça) de São Paulo. Todos os policiais presos foram encaminhados para o presídio da Polícia Civil e estão à disposição da Justiça. O secretário da Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho, autorizou em conjunto com o delegado-geral Youssef Abou Chahin o imediato remanejamento de policiais que moram ou já trabalharam na região para ocupar as vagas deixadas, não havendo prejuízo no atendimento à população do Vale do Paraíba. A reportagem procurou a cúpula da Polícia Civil no Vale e policiais denunciados, mas não obteve retorno.

Mais temida facção criminosa do Brasil, o PCC (Primeiro Comando da Capital) pagava um 'mensalão' para dezenas de policiais civis de São José dos Campos, com o objetivo de garantir o 'livre comércio' de drogas nas biqueiras localizadas no bairro Campo dos Alemães, principal reduto do tráfico na zona sul da cidade.

É o que mostra a denúncia do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), apresentada à Justiça e que levou ontem à decretação da prisão preventiva de 36 acusados, incluindo 30 policiais civis, pelo TJ (Tribunal de Justiça) de São Paulo (texto nesta página).

Por meio de interceptações telefônicas, autorizadas pela Justiça, o MP (Ministério Público) descobriu que o bando liderado por Lúcio Monteiro Cavalcante, líder do PCC na área, pagava propina para os policiais, que em troca deixavam o tráfico 'correr livre'.

A ação durou, ao menos, de agosto de 2015 até hoje.

"Inédito. Nunca houve uma denúncia como essa na história, com 30 pessoas de uma só cidade envolvidas. É uma coisa que extrapola qualquer expectativa. Muito preocupante",afirmou ao OVALE o ouvidor da Polícia do Estado, Julio Cesar Fernandes Neves.

CORRUPÇÃO.

A propina do tráfico era paga mensalmente -- às vezes, até quinzenalmente -- a policiais lotados na Dise (Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes), que era inclusive apelidada de Casa Grande, em razão da sua importância estratégica, na DIG (Delegacia de Investigações Gerais), no Garra (Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos) e também no 3º e 7º DPs (Distritos Policiais), localizados na zona sul.

"Está normal [tráfico na área do Campo], os caras [traficantes] pagou (sic) a polícia lá", disse um traficante ao comparsa em um dos telefonemas interceptado pelo Gaeco.

O esquema continuou inclusive após a morte de Lúcio, ocorrida em março de 2017, durante confronto com a Polícia Militar no Anel Viário de São José.

PROPINA.

Entre os meses de novembro e dezembro de 2015, por exemplo, o Garra recebeu R$ 33 mil. Já a Dise, recebeu R$ 25 mil no mês de novembro daquele ano. Na DIG, foram R$ 80 mil no período entre os meses de outubro de 2015 e janeiro de 2016.

Em uma gravação, um traficante diz que não está 'trabalhando' porque estava 'trocando ideia' com policiais e que 'queria mandar eles saírem fora' e voltarem à noite 'para receber'. A denúncia, ajuizada em outubro na 3ª Vara Criminal, acusa um ex-policial, uma advogada e quatro traficantes, além dos policiais.

Estado informa que 24 dos 30 mandados de prisão dos policiais foram cumpridos

A Secretaria de Segurança Pública do Estado informou, em nota, que até o fim da tarde desta quinta-feira, foram cumpridos 24 dos 30 mandados de prisão preventiva de policiais que atuavam em São José decretada pelo TJ (Tribunal de Justiça) de São Paulo. Todos os policiais presos foram encaminhados para o presídio da Polícia Civil e estão à disposição da Justiça. O secretário da Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho, autorizou em conjunto com o delegado-geral Youssef Abou Chahin o imediato remanejamento de policiais que moram ou já trabalharam na região para ocupar as vagas deixadas, não havendo prejuízo no atendimento à população do Vale do Paraíba. A reportagem procurou a cúpula da Polícia Civil no Vale e policiais denunciados, mas não obteve retorno.

Confira os policiais e o ex-policial com prisão preventiva decretada:

1) Darci Ribeiro;

2)Wander Rodrigo Vilhena Pinto;

3)Alberto Alves Filho;

4)Alexandre Pereira Cortez ou Alexandre Utida Cortez;

5)Juarez Ribeiro da Rosa;

6)André Luiz da Silva;

7)Francisco Antônio Castilho Junior;

8)Nestor Batista Telmo Junior;

9)Alexandre Tadeu Tomé da Silva;

10)Arnaldo Célio de Paiva;

11)Alessandro Alfredo dos Santos;

12)Cristiano dos Santos Fernandes;

13)Paulo Daniel da Silva Epifânio;

14)Samuel Nicolau dos Santos;

15)Oswaldo Pinho Guimarães Correa Junior;

16)Marcelo Luís Silva;

17)Luís Eduardo de Oliveira;

18)Eleazar Simões Ladislau;

19)João Henrique Pinheiro da Silva;

20)Ricardo Ribeiro Magalhães;

21)Clênio Eduardo Arruda Garcia;

22)Ronaldo Arruda Guerra;

23)Alexandre Pereira da Silva;

24)Accássio Rangel de França Neto;

25)Daniel Aparecido Alvarenga;

26)Rerolde Alexandre Soares Rodrigues;

27)Cláudio César da Silva Santos;

28)André Pedro Andreotti;

29)Luiz Fernando Vinhas Junior;

30)Luís Fernando de Lima Júnior;

31) Fabrizio Silano

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