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Setembro 11, 2017 - 11:25

Grupo Matula surpreende e emociona no Centro de São José dos Campos

Jogos Cortazianos

Jogos Cortazianos

Foto: Maycon Soldan/Divulgação

Confira crítica da peça 'Jogos Cortazianos', do Grupo Matula Teatro, por Simone Carleto

Simone Carleto
São José dos Campos

Para onde vão as bexigas verdes? O grupo Matula Teatro, de Campinas, realizou a intervenção urbana "Jogos Cortazianos – Instruções para Desaparecer", no Centro de São José dos Campos, iniciando na Praça Afonso Pena, na manhã de sábado de 9 de setembro.

As três jogadoras Alice Possani, Erika Cunha e Quesia Botelho vestem macacões verdes, tênis e fones de ouvido, além de transportar um tubo de gás hélio sobre rodinhas, que encherá os balões verdes utilizados no jogo. As atrizes percorreram algumas ruas da cidade, em que apareceram/desapareceram em meio ao polo de consumo e comércio formal e informal que acontece no local.

Gente de todo tipo circulando, grande movimento de crianças, adultos, idosos, figuras excêntricas, rapa apreendendo mercadorias, enfim, tudo que uma cidade grande proporciona. As atrizes escutam nos fones de ouvido três faixas de áudio com instruções, provocações e estímulos para o jogo urbano. Uma das vozes é de Flavio Rabelo, que assina a direção e estruturação dos áudios a partir das indicações para o processo criativo e pesquisa do grupo com a obra do argentino Júlio Cortázar. Elas se posicionam com os balões, compondo inúmeras imagens, interferindo na paisagem e dinâmica do local.

Espanto, estranhamento, “é teatro”, pessoas afirmam, “que susto!”, outras. E teve até quem disse “olha o que o povo faz para ganhar dinheiro” …E obviamente uma questão é como um trabalho de pesquisa de tamanha profundidade se mantém. Impacta o compromisso e cuidado com o ofício demonstrando pelas atrizes-jogadoras. No modo como se aproximam das pessoas, no cuidado com o convite e acompanhamento do jogo proporcionado pelo quarto áudio, em que pessoas podem participar do jogo.

O participante escuta um áudio com perguntas que já foram lançadas durante o trajeto das jogadoras. O que você gostaria que desaparecesse da sua vida? O que te dá prazer? O que te dá frio na espinha? Qual foi a última vez que você se sentiu vivo? A intenção, sobretudo a partir da obra O jogo da amarelinha, de Cortázar, é provocar as pessoas a reparar nos detalhes que podem revelar o fantástico e o poético que habitam o caminho de todos os dias. Em contraposição, inclusive, à relação de consumo e à coisificação do cotidiano e das pessoas.

A pesquisa com relação aos lugares das atrizes no jogo, assim como o roteiro, o jogo que se estabelece, são questões que transparecem ao estado poroso e experimental em que se colocam as atrizes com seus corpos. Esse trabalho compõe uma trilogia do grupo, que inclui também dois espetáculos de palco, todos criados a partir da obra do escritor. A íntima relação com as obras e a inspiração poética-filosófica-social confere à obra coerência e tremendo impacto vivencial nos participantes e observadores. "Os sim e não das pessoas durante a vida conduziram as pessoas até onde elas estão agora.” “Você aceita participar de um jogo?"

Simone Carleto

(Crítica do 32º Festivale. Artista pedagoga, mestre e doutoranda em Artes Cênicas pela Unesp. Foi atriz do Canhoto Laboratório de Artes da Representação de 2001 a 2008. Participou da implantação e coordenou a extinta Escola Viva de Artes Cênicas de Guarulhos, de 2005 a 2016)

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