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Setembro 11, 2017 - 11:15

'Urubus no ar': a corrupção humana abordada de forma lúdica

"Urubus no Ar"

"Urubus no Ar"

Foto: Ronaldo Robles/Divulgação

Confira crítica da peça 'Urubus no ar', da Cia. Quase Cinema, por Simone Carleto

Simone Carleto
São José dos Campos

A Cia Quase Cinema, de Taubaté, representou o Vale do Paraíba no 32° Festivale. Inspirando-se na pesquisa da linguagem do cinema noir, a companhia trouxe a história de um crime muito semelhante aos acontecimentos recentes no cenário político brasileiro. Para tanto, a confecção de bonecos bidimensionais e recursos do teatro de sombras, além de técnicas de animação, compuseram a encenação.

É interessante o modo como o grupo revela, simultaneamente à narrativa, o fazer dos atores-intérpretes da obra. O espectador pode escolher a observar o primeiro plano – da manipulação dos bonecos, refletores e outros adereços; o segundo plano e primeiro da história contada – que são os atores ou bonecos e cenário em cena; ou o terceiro plano, das sombras. Porém, a obra oferece a completude desses planos, sobretudo em cenas que apresentam intenso movimento de cenários giratórios, por exemplo, que proporcionam perspectiva do movimento com profundidade da cena, como acontece com uma cena em que uma personagem corre por uma rua e aparecem inúmeros elementos desta paisagem.

Uma curiosidade é que dependendo da característica da cena, há mais de um boneco da mesma personagem, para poder conferir maior dinamismo à representação.

Um julgamento é realizado com o público, porém o resultado surpreende a todos os presentes. Mesmo assim, não é questionado e, ao final, o elenco proporciona reflexão bem-humorada a respeito das decisões coletivas que não são respeitadas.

As vozes e cenários são bem trabalhadas, destacando-se na composição a trilha sonora jazzística do espetáculo. É importante afinar o jogo entre manipulação e atores quando há cenas entre bonecos e personagens presentificadas por humanos. O mesmo vale para as intervenções jornalísticas, em que o texto precisa ser melhor dominado, conferindo objetividade ao recurso dramatúrgico. Com relação aos planos comentados, o acabamento do cenário à vista do público precisa ser aperfeiçoado.

Pesquisas relacionadas ao expressionismo alemão também contribuiriam para o arcabouço dramatúrgico da obra. Formam o elenco e equipe técnica do grupo Charles Krai, Rafael Soares, Ronaldo Robles e Silvia Godoy. Ronaldo e Silvia assinam a direção da obra.

A presença do espetáculo no Festivale garantiu a diversidade de tipos de produção artística representativas da região.

Simone Carleto

(Crítica do 32º Festivale. Artista pedagoga, mestre e doutoranda em Artes Cênicas pela Unesp. Foi atriz do Canhoto Laboratório de Artes da Representação de 2001 a 2008. Participou da implantação e coordenou a extinta Escola Viva de Artes Cênicas de Guarulhos, de 2005 a 2016)

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