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Setembro 06, 2017 - 01:09

Crise dobra 'fuga' de moradores da região para países do exterior

Passaporte

Passaporte. Número de pessoas que vão morar no exterior teve aumento depois da crise na economia

Foto: /Divulgação

Nos dois últimos anos --2016 e 2015-- 454 moradores da RMVale optaram por deixar a região e morar no exterior; no biênio anterior, os imigrantes da região foram 273; crise no país explica o aumento da saída para o estrangeiro

Xandu [email protected]
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Quase dobrou a quantidade de pessoas da RMVale que deixou o Brasil para morar no exterior. Na comparação entre 2013 e 2016, de quando são os dados mais recentes, o número saltou de 111 para 213 pessoas no Vale do Paraíba, um aumento de 91,89%.

Os dados são da Receita Federal, que exige a "Comunicação Definitiva de Saída do País" de quem vai morar fora. O levantamento é feito desde 2013. Os dados de 2016 incluem documentos entregues até a última segunda-feira.

Em 2016 e 2015, 454 moradores da RMVale foram morar no exterior. No biênio anterior, foram 273 residentes que se mudaram.

Eles fugiam da crise: de janeiro de 2014 (início da crise) a julho deste ano, a região perdeu 51,3 mil empregos, segundo o Ministério do Trabalho.

"Como a situação no Brasil estava piorando, vimos a oportunidade de recomeçar", afirmou Pollyana Frueh, 32 anos, que mudou-se para a Malásia, em 2016, com o marido e o filho de três anos.

Qualidade de vida e segurança também pesaram: "Nossa casa tem um gramado que dá de frente pra uma praia artificial. Essa paisagem não tem preço".

Rodrigo Moreira, 24 anos, trocou Jacareí por Kursk, na Rússia, para estudar Medicina com aulas em inglês. "Isso abre as portas para trabalhar em diversos lugares que falam a língua e precisam de médicos. Falo bem russo, mas ainda não sou fluente", afirmou.

SALÁRIO.

A consultora comercial Ismênia Paiva, 28 anos, trocou São José por Bray, na Irlanda, em 2016, para trabalhar como babá em meio período e estudar. No mínimo, disse que ganha 1.000 euros (mais de R$ 3.000). Enumera ainda a vantagem de viajar pelo continente, conhecer outras culturas e aprimorar o inglês.

"O crescimento profissional é possível depois que você atinge um nível avançado de inglês. Algumas áreas são muito procuradas e bem vistas aqui, como enfermagem".

Jornalista muda para Inglaterra e lança livro sobre viver no exterior

A jornalista Silvia Lourenço, 36 anos, vivenciou as duas fases da imigração: euforia e choque cultural. "Nessa fase complicada você se dá conta das 'perdas' e parece que os ganhos ficam pequenos", disse ela. Silvia sentiu na pele as "perdas" ao mudar-se para Londres, em 2013. Deixou de ser executiva no Brasil para assumir o lar, superou o frio inglês e as barreiras cotidianas da língua. "Nós brasileiros, de modo geral, super valorizamos o que é estrangeiro", disse ela, que lançou neste ano o livro "Atravessando o Oceano - Os desafios enfrentados ao mudar de país", afirmou..

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