São José dos Campos
20º / 26º
No decorrer do dia o dia terá com variação de nebulosidade na região.
Editorial
Setembro 12, 2017 - 23:44

VERDADES PARALELAS 

Michel Temer molda seu discurso ao momento difícil que enfrenta, com fatos graves revelados pela Polícia Federal


O impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) estava em curso quando surgiu a gravação entre o senador Romero Jucá (PMDB-RR) e o ex-presidente da Transpetro, Sérgio Machado. Além do desejo de "estacar" a sangria da Lava Jato, Jucá ainda fazia uma observação sobre o então vice-presidente Michel Temer (PMDB).

"Só o Renan [Calheiros] que está contra. Porque não gosta do Michel, porque o Michel é Eduardo Cunha. Gente, esquece o Eduardo Cunha, o Eduardo Cunha está morto", dizia o senador da República.

Nesta semana, a Polícia Federal concluiu investigação que aponta indícios de que o presidente Michel Temer tinha voz de comando em uma suposta organização criminosa formada por integrantes do PMDB da Câmara. Os integrantes: Moreira Franco e Eliseu Padilha, além dos ex-deputados Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), Geddel Vieira Lima (PMDB-BA) e, claro, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Fatos vêm sendo revelados diariamente com o avançar da Operação Lava Jato. O governo de Michel Temer, entretanto, cria verdades paralelas. Totalmente desconexas com a realidade das provas e documentos das investigações de PF e Ministério Público.

"Facínoras roubam do país a verdade. Bandidos constroem versões 'por ouvir dizer' a lhes assegurar a impunidade ou alcançar um perdão, mesmo que parcial, por seus inúmeros crimes. Reputações são destroçadas em conversas embebidas em ações clandestinas", diz trecho da nota da Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República enviada ontem.

As verdades palacianas, entretanto, dificilmente são capazes de convencer o brasileiro. Mas, ao utilizar termos como 'facínoras', 'destroçadas' e 'clandestinas', o governo tenta um esforço para transformar questões sérias em algo como uma briga de mocinho e bandido, apenas para iludir os mais desatentos.

Difícil é convencer. E as pesquisas não deixam mentir.

Segundo a PF, Temer e Cunha tinham hierarquia semelhante. O presidente da República, entretanto, tinha a função de "conferir oficialidade" aos atos que viabilizam as tratativas acertadas pelo deputado cassado, "dando aparente legalidade e legitimidade em atos que interessam ao grupo".

É preciso investigar. Sem criar fatos. Apenas buscando a verdade..

Publicidade
Publicidade
Publicidade  
Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade

BRASIL

MUNDO