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Editorial
Setembro 06, 2017 - 00:16

OURO EM CORRUPÇÃO

Desempenho do Brasil na modalidade corrupção coloca o país entre os líderes mundiais do jogo sujo na política


Sete ouros, seis pratas e seis bronzes. As 19 medalhas conquistadas pelo Brasil nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, colocaram o país na 13ª posição no quadro de medalhas, feito inédito para a delegação. Longe, entretanto, dos quase insuperáveis Estados Unidos, que faturaram 121 medalhas, 41 delas de ouro.

Se os norte-americanos estão anos-luz à frente dos brasileiros em matéria de esporte, certamente têm ficado para trás na modalidade corrupção.

O jogo sujo sempre existiu no país, mas a ação de seus jogadores nunca chegou aos níveis de atualmente. Pelo menos nas cifras envolvidas.

A nova etapa da Operação Lava Jato está aí para confirmar. A Polícia Federal apura papel do presidente do COB (Comitê Olímpico Brasileiro), Carlos Arthur Nuzman, em suposta fraude para eleição do Rio de Janeiro como sede olímpica em 2016.

Nuzman, inclusive, foi levado para prestar depoimento e sua casa foi alvo de busca e apreensão nesta terça-feira. O passaporte do dirigente, historicamente ligado ao voleibol brasileiro, foi entregue aos policiais da força-tarefa.

A olimpíada da corrupção no país extrapolou as duas semanas de disputas e já dura ao menos quatro anos. E, a cada dia, há uma quebra de recorde internacional.

Só nesta semana, o noticiário jogou luz a novos trechos de áudio do empresário Joesley Batista, um dos donos do grupo J&F e delator da Lava Jato. No material, ele relata que o ex-procurador da República Marcelo Miller, incentivou o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, chefe do Ministério Público Federal, a fechar acordo de delação premiada com a J&F.

"Nós somos a joia da coroa deles [Ministério Público Federal]. O Marcelo [Miller] já descobriu e já falou com o Janot: 'Ô, Janot, nós temos o cara [Joesley], nós temos o pessoal que vai dar todas as provas que nós precisamos'. Ele já entendeu isso", ressaltou Joesley ao diretor da J&F, Ricardo Saud, em gravação acidental de 17 de março.

Em resumo, nem procurador da República tem mantido postura correta.

Enquanto as torcidas se digladiam para defender este ou aquele, os políticos estão em uma corrida paralela pelo ouro. Não o ouro das medalhas, aquele que se pode exibir em rede nacional. Mas, sim, o ouro que é depositado nas contas em paraísos fiscais sem que ninguém saiba..

 

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