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Ideias
Agosto 30, 2017 - 23:55

SÃO MILHÕES DE FERIDOS

Tragédia ocorrida na Carvalho Pinto deixa toda a região ferida, estarrecida com este acidente que tirou duas vidas


Profissional experiente, calejado pelos anos de hard news, o fotógrafo seguiu para a pauta. Para mais uma pauta, como tantas outras no dia a dia em busca da notícia. O tema? Um acidente de trânsito em uma rodovia nos arredores da cidade, com dezenas de veículos envolvidos, mortos e feridos. Chegando ao local, em meio àquela cena absolutamente desoladora, ele clicou, clicou, clicou freneticamente, como se a máquina fosse um escudo, capaz de protegê-lo de tudo aquilo, do cotidiano nem sempre feliz que retratava com suas imagens.

A história, pelo que se diz nos corredores das faculdades de Jornalismo, se passou muitos anos atrás, na época em que as máquinas digitais não passavam de uma ficção científica. Então, depois de chegar à redação, o fotógrafo se dirigiu ao laboratório, onde passou a revelar todos aqueles rolos de filme. Ali, naquela pequenina sala com luz avermelhada, o experiente fotógrafo chorou.

Foi às lágrimas ao perceber, em uma de suas chapas, que o seu próprio filho agonizava entre as vítimas da tragédia, em uma cena congelada por seu clique. O próprio filho, que mais tarde não resistiria aos ferimentos. E o fotógrafo, já calejado pelo dia a dia em busca da notícia, não havia visto. Clicava de forma automática.

De tão abalado, o pai abandonou a profissão e depois jamais voltou a fotografar.

Nesta quarta-feira, a tragédia na rodovia Carvalho Pinto teve como símbolo uma foto tirada pela jornalista Ana Lúcia Innocêncio, repórter que cobria o caso pela Rádio Mensagem, de São José -- e que possui passagem pela redação de OVALE.

A foto, que estampa a nossa capa desta quinta-feira, retrata o encontro entre o romeiro Carlos e o menino Pedro, este de 5 anos. Em meio à tragédia, que deixou duas vítimas fatais e 20 feridos, o garoto tinha ficado perdido naquele cenário trágico. Seus avós tinham sido socorridos e Pedro ficou sozinho. Então o peito de Carlos, romeiro que seguia com a mulher de Guararema para Aparecida, foi o abrigo encontrado pela criança. "O colo de Nossa Senhora", escreveu Ana.

A cobertura da tragédia, que mobilizou toda a nossa equipe, mostra que sempre existe espaço para a sensibilidade. O olhar humanizado diante dos fatos. A foto tirada por Ana Lúcia, estampada em nossa capa, deixa claro: há no jornalismo uma luz que não se apaga jamais. E arde forte em cada palavra impressa em OVALE..

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