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Junho 13, 2017 - 23:40

Cartas para Julieta

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Foto: /Divulgação

Professora de Jacareí é voluntária em projeto mágico na Itália

Paula Maria Prado @paulamariaprado
Jacareí

A história de Romeu e Julieta, de William Shakespeare, publicada originalmente em 1597, segue mais viva do que nunca. Na trama, que se passa em Verona, na Itália, dois jovens nascidos em famílias rivais se apaixonam. E, impossibilitados de viverem esse amor - desculpe-me o spoiler -, preferem a morte.

Ainda na trama, o corpo da romântica Julieta é enterrado em um monastério situado nos arredores da cidade. E, como na época havia somente um monastério fora de Verona, o convento de San Francisco al Corso, convencionou-se, tornou-se oficialmente o local do sepultamento.

Bom, ninguém sabe exatamente como e quando começou, mas, curiosamente, o convento passou a receber cartas endereçadas a Julieta. São crianças, jovens e idosos, na maioria mulheres, que contam histórias de amor, decepções e questões que ninguém mais quer (ou pode!) ouvir. 

Em um primeiro momento, as cartas preenchiam as paredes de pedra próximas ao jazigo da personagem. Até que um rapaz, Ettore Solimani, encarregado da manutenção do local, resolveu respondê-las. Era o ano de 1937, e ali ele inaugurava aquilo que hoje é conhecido como Club di Giulietta.

Até hoje voluntários se dedicam a responder as pessoas que enviam cartas a ela. Aliás, são cerca de 10 mil mensagens por ano entregues em papel timbrado do clube e assinadas por Julieta - ou Giulietta. "As pessoas pedem conselhos, contam o que ninguém tem paciência de escutar e, às vezes, apenas nos parabenizam", contou a Andreia Caetano, 44 anos, professora de artes de Jacareí, responsável por responder as cartas e e-mails enviados na língua portuguesa.

Como estudante de italiano, Andreia conheceu o projeto por meio de amigos. "Participei de uma entrevista em Verona. É preciso ter curso superior, conhecer ao menos três línguas e ser maior de idade, além de, claro, ter empatia com as pessoas", disse. 

HISTÓRIAS DE VIDA.

Turistas que visitam a cidade italiana podem viver a experiência de responder uma carta. Agora as pessoas deixam os envelopes em uma caixa de Correio. Então, voluntários do clube selecionam as cartas por língua e/ou países e então elas ficam à disposição para serem respondidas. 

As cartas recebidas são arquivadas, já as respectivas respostas delas são colocadas de volta no Correio. "A mais bonitinha que respondi foi de um irmão que queria parar de brigar com a irmã. Ele dizia que gostava muito dela e queria saber como falar isso para ela", lembrou Andreia, que, no início, recebeu uma caixa de cartas em português e precisou de meses para colocar as correspondências em dia.

Atualmente, ela ainda recebe mais de dez cartas por mês. "Uma outra história que me marcou foi uma moça que escreveu a carta enquanto esperava o marido para saírem e resolverem a vida", disse. "Eu fico emocionada. Choro sempre lendo as histórias".

MAGIA.

Ainda que todo o mundo afirme que a história contada por Shakespeare é uma ficção, em Verona a trama ganha contornos reais. "A cidade respira tudo isso. É como se tivesse acontecido. E existe de fato o túmulo de Julieta. Então é um lugar incrível", afirmou Andreia.

E mais: se você escrever uma carta, colocar seu nome e endereço como de praxe, e no destinatário colocar 'Para Julieta', a carta chegará no convento. O que pode ser mais mágico do que isso?.

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