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Maio 15, 2017 - 23:47

Malabaristas de rua estão na mira do governo em São José

malabares (3)

No farol. Os malabaristas Rafael...

Foto: Rogério Marques/OVALE

Paula Maria Prado
São José dos Campos

30 segundos. Esse é o tempo mínimo do semáforo para que o público nos carros tenha tempo de apreciar um bom espetáculo. Se o semáforo tiver mais de um minuto, melhor ainda! Depois, aqueles que podem ofertar alguma quantia sinaliza a intenção de contribuir. O artista então vai até lá e posiciona seu chapéu para recebê-la.

O roteiro é conhecido por todos os artistas de rua. "Nós não somos pedintes", cravou Peter Gutlich, 19 anos, malabarista. "Estudo o malabares como dispositivo terapêutico e foi depois de participar de uma convenção de circo, há dois anos, é que deslanchei na arte".

A história da Anabê Jardini, 19 anos, é parecida. Estudante de biologia, teve de parar a faculdade por falta de dinheiro. "Conheci o bambolê por meio de uma antiga casa de cultura de São José chamada Magia do Amor e desde então tenho treinado", conta ela. 

A história de Peter, Anabê e tantos outros artistas de rua pode ser encerrada ainda neste mês, ao menos em São José. Um projeto do governo Felício Ramuth (PSDB) encaminhado para a Câmara sugere tirá-los de cena. Aliás, vendedores de artesanatos e alimentos e pessoas que atuam na distribuição de panfletos também serão atingidos.

O projeto "autoriza as apresentações artísticas, culturais e afins, nos próprios públicos do município, por intermédio da Fundação Cultural Cassiano Ricardo, e proíbe as atividades que constituam perigo ou obstáculo ao trânsito e prejudiquem a ordem e a organização urbana".

Assim, estão previstos a apreensão de equipamentos dos malabaristas e mercadorias vendidas nos semáforos, que só serão liberados mediante pagamento de multa. E, se houver resistência o cidadão poderá ser conduzido à delegacia. 

EXPRESSÃO.

A proposta pegou artistas de surpresa. "Não é só o dinheiro. O malabares é uma expressão artística. Treinamos muito para fazer um bom trabalho. Não somos vagabundos. É um trabalho", disse Anabê. 

"Quando estamos no farol, estamos diante de pessoas que nem sempre estão preparadas para absorver aquele conteúdo artístico que apresentamos, é uma espécie de intrusão. E por isso há os olhares de julgamento. Mas acho essa proposta um crime a liberdade do artista de escolher como ele quer viver. A rua não é minha única fonte de renda, mas sou apaixonado por ela. E não pretendo parar", afirmou Peter.

A proposta ainda se encontra em tramitação.

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