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Maio 02, 2017 - 10:36

Nostalgia sem naftalina com o Midnight Oil

O vocalista Peter Garret durante show do Midnight Oil, em São Paulo

O vocalista Peter Garret durante show do Midnight Oil, em São Paulo

Foto: Marta Ayora

Adriano Pereira

Ficar 15 anos longe de um palco não é fácil, ainda mais quando uma banda acaba pela exaustão da convivência entre seus integrantes. Algumas voltam depois desse tempo com o objetivo único de repor o caixa e fica nítida a falta do espírito de banda. Não parece ser o caso do Midnight Oil que encheu o Espaço das Américas de gente e de hits, no último sábado, em São Paulo.

Quando os primeiros acordes de "Blue Sky Mine" soam na noite o público entra numa máquina do tempo e volta para os 80 e 90, quando o Midnight era uma banda radiofônica, pop sem ser populesca mas que tocava até em novela da Globo. 

O vocalista Peter Garret ainda é o centro do Midnight Oil. Presença de palco e voz impecáveis mesmo aos 63 anos de idade. Seu ativismo ecológico continua dando a tônica do seu discurso, que foi feito parte em português e parte em inglês, levando o público a reconhecer seu esforço. Aliás, a música da banda e seu público continuam os mesmos, alguns com mais cabelos brancos, outros com menos cabelos, mas não dá pra ver nenhuma renovação, nem no som, nem na galera.

Os desfiles de hits - “Beds are Burning”, “Read About It” e “Forgotten Years” - foram se intercalando com músicas menos conhecidas, algumas até do último disco, "Capricornia", lançado em 2002. O que para uns pode ser uma qualidade, para outros pode ser um defeito, mas a realidade é que o Midnight Oil é no palco o que é no disco: sem muito improviso e sem muita inovação.

Não há quem saia insatisfeito, mas também não é um show que faça você lembrar como uma noite única, algo histórico. Chega a ser burocrático em alguns momentos, mas também não soa datado por uma única razão: a sonoridade característica e inconfundível.

Sim, o Midnight Oil é daquelas bandas que criam uma identidade e isso sempre mereceu respeito. Apesar de nostálgico, não tem naftalina. A turnê "The Great Circle" vai rodar a Europa, África, Ásia, Oceania e os Estados Unidos, mas não se sabe mais de nada além disso, se tem disco novo para sair, se a banda termina a turnê e cada um volta pra sua vida longe dos holofotes.

Gás eles têm, só resta a esperança de que a química para compor novas canções não seja a mesma usada no palco.

Setlist da apresentação de SP

1 – Blue Sky Mine

2 – Truganini

3- Too Much Sunshine

4 – Redneck Wonderland

5 – Under the Overpass

6 – King of the Mountain

7 – Short Memory

8 – Earth and Sun and Moon

9 – Power and the Passion

10 – Antarctica

11 – Only the Strong

12 – Arctic World

13 – Warakurna

14 – Dreamworld

15 – My Country (Versão piano)

16 – When the Generals Talk (acústica)

17 – Luritja Way (acústica)

18 – US Forces

19 – The Dead Heart

20 – Beds Are Burning

21 – Read About It

21 – Forgotten Years

Encore:

23 – Put Down That Weapon

24 – Now or Never Land

25 – Sometimes

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