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Abril 25, 2017 - 23:56

CABO DE GUERRA: BRIGA TELEVISIVA

Emissoras (Simba) contra as Operadoras. Como fica o consumidor nessa encrenca?

Paula Maria [email protected]

Acostumada por décadas a ser o centro do entretenimento em muitos lares do país, a televisão está sendo obrigada a se adaptar aos novos –e talvez mais difíceis—tempos. Se de um lado a TV por assinatura sofreu um recuo na sua carteira de assinantes de 2015 para cá, por outro, serviços de streaming, como a Netflix, dobraram sua audiência.

Além disso, temos ainda a TV aberta assistindo sem poder fazer muita coisa a sua receita migrar para outras plataformas, como o YouTube. E, como se isso já não fosse um problemão, TV aberta e paga resolveram brigar entre si numa encrenca que já dura semanas! Pior: numa guerra em que parece só haver perdedores.

Record, SBT e Rede TV! se uniram contra as operadoras de TV fechada (Sky, Vivo, Net e Oi) e querem que elas paguem por sua presença nos pacotes vendidos ao consumidor.

No miolo da briga, a troca do sinal analógico pelo digital. Quando a TV paga chegou por aqui, foi obrigada a incluir canais abertos nos pacotes –bem como canais comunitários, universitários, legislativos e da justiça-- mas não pagariam por isso. Assim, a TV aberta ganhou melhor qualidade de transmissão enquanto a fechada garantiu audiência certa.

Mas, a troca do sinal permite a partir de agora a livre negociação. Então, o Simba (grupo formado pelas emissoras) pôs as cartas na mesa. A proposta inicial foi R$ 15 por assinante, caso contrário sairiam do pacote. Os R$ 5 reais por emissora, ainda que alto, se aproxima do valor pago por canais internacionais.

“O que nós queremos é um pagamento justo pelo nosso trabalho, como as operadoras fazem com outros canais internacionais e também nacionais”, afirmou o apresentador e vice-presidente da RedeTV!, Marcelo de Carvalho.

Globo e Band ficaram fora da briga, até porque já ganham dinheiro com as operadoras não com a TV aberta, mas com seus canais, como GNT, Multishow e BandNews.

“É um direito dessas emissoras abertas, que alegam que as operadoras pagam pelos conteúdos dos canais.

Já as operadoras também alegam que exibem os canais com os comerciais que elas recebem para veicular e não tem nenhuma participação nisso”, afirmou Fernando José Garcia Moreira, pesquisador e coordenador do Curso de Rádio e TV da Univap.

“Além disso, quando pagam um canal, esse tem a obrigação de oferecer uma programação diferenciada e de qualidade”, continua ele. Com um mercado composto por 18,69 milhões de assinantes, o Simba lucraria por mês cerca de R$ 279 milhões.

ENCRENCA.

A briga por ora está restrita a Brasília e São Paulo, cujos sinais analógicos já foram desligados. Mas já teve desastrosas consequências. O trio de emissoras viu uma queda brusca em sua audiência. Já as operadoras deixaram de ter em sua programação canais que abraçam 20% do seu público.

E pior: as TVs abertas iniciaram uma campanha para que consumidores peçam desconto às operadoras pela redução do seu pacote. Em nota pública a ABTA (Associação Brasileira de Televisão por Assinatura) informou que as “operadoras de TV por assinatura desejam restabelecer a transmissão desses canais e seguem buscando um acordo com essas emissoras de forma a não onerar os seus assinantes”.

A encrenca tem, claro, seu lado cômico. A Rede TV! chegou a ministrar uma aula ao vivo sobre como cancelar uma assinatura por telefone –a operação levou quase uma hora. Bispos, da Record, pediram aos seus fieis para que lotassem de reclamação o centro de atendimento das operadoras. Daí o clima azedou de vez. A Net soltou comunicado informando que para assistir tais canais, “basta sintonizar o canal usando uma antena externa”.

“Essa onda é chamada nos Estados Unidos de ‘Cut the cord’ ou ‘Cut the cable’, quando as pessoas assistem programas de graça na TV aberta e só acessam conteúdos pagos pela internet quando querem. Essa é ainda a nova proposta da TV YouTube”, explicou o professor. “Acredito que quem saia perdendo são emissoras e operadoras”.

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