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Abril 14, 2017 - 19:20

Guilherme Feital - Opinião: '13 Reasons Why'


Assisti "13 Reasons Why" e tenho duas opiniões em relação à série. A primeira é que são poucos os que têm coragem de abordar um assunto considerado tabu mas que está imensamente presente em nossa vida, principalmente, dentro das escolas e no meio digital.
É como se a série tocasse numa ferida profunda. Tanto é que repercutiu e esteve ocupando por alguns dias os "trend topics" com a hastag #naosejaumporque. Confesso que fiquei bastante angustiado ao acompanhar o desfecho de Hannah, porém o que mais me assusta é saber que existem tantas outras “Hannahs” por aí, às vezes, mais perto do que possamos imaginar...
A segunda diz respeito à maneira como a protagonista aborda os possíveis responsáveis por seu suicídio, os culpabilizando pelo ato que cometeu. Não vejo essa opção com bons olhos porque, ao meu ver, uma postura como essa somente tende a aumentar o sofrimento e os efeitos que isso já causa. Durante nosso treinamento no CVV (Centro de Valorização da Vida) aprendemos que, quando alguém se suicida, o impacto disso atinge, em média, 10 pessoas próximas.
Acredito também, que ao abordar isso explicitamente pode ser um “gatilho” para que pessoas que já têm isso em mente possam de fato concretizar o desejo de cometer esse ato.
Por fim, ainda que exista um mini documentário sobre formas de prevenção ao suicídio, não há nenhuma menção dos serviços disponíveis no Brasil. Penso que poderiam, por exemplo, ao fim de cada episódio, informar isso de maneira mais efetiva.
A organização de saúde dos EUA, divulgou uma nota de procedimentos a serem adotados quanto na abordagem de casos de suicídio e, ao que parece, alguns pontos foram negligenciados pelos produtores. O caso mais grave, ao meu ver, foi ter mostrado integralmente o ato cometido por Hannah.
Estar atentos aos sinais e dispostos a ouvir é a melhor forma de prevenção ao suicídio. Por isso, organizações como o CVV desenvolvem um trabalho primordial, dispondo de um espaço onde o respeito e sigilo estão presentes.
Por Guilherme Feital, estudante de psicologia e voluntário no CVV (Centro de Valorização da Vida)
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