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Abril 14, 2017 - 19:24

Aline Carvalho Monteiro - Opinião: '13 Reasons Why'


Eu assisti a série "13 Reasons Why" e a considero com um conteúdo bastante denso e forte. Acredito que a intensão da Netflix foi a de causar um impacto, chamando a atenção para aspectos como: a dificuldade em ser um adolescente, mostrando de maneira muito honesta o imenso desejo deste de ser aceito e admirado por seus pares (grupo ao qual pertence) e um concomitante afastamento dos pais, em uma tentativa de construir sua identidade.
Outro aspecto que a série evidencia é a aceitação quase que omissa dos pais, diante do distanciamento dos filhos nessa fase. Embora eventualmente incomodados com tal afastamento, permanecem sem reação e acabam se voltando para os problemas de seu próprio cotidiano, acreditando que os conflitos dos filhos irão "desaparecer com o tempo". Esse aspecto considero de grande valor para a reflexão dos pais que sentem-se impotentes diante da adolescência e se rendem a tal sentimento.
O terceiro ponto importante que a série levanta, na minha opinião, é a questão da Pseudo-Orientação Psicológica (_counseling_) que muitas escolas se propõem a oferecer. Muitas vezes com intenções nobres mas que, no caso da série, mostrou-se descomprometida e absolutamente superficial, aumentando ainda mais a descrença e o sentimento de abandono e solidão da protagonista.
Se faz necessário uma abordagem mais responsável por parte das escolas e o encaminhamento de estudantes que apresentem fatores de risco, a profissionais devidamente competentes, quando a escola perceber que a problemática ultrapassa as possibilidades da ajuda que é oferecida pela instituição.
O ultimo ponto que considero relevante mencionar aqui é o quanto a série evidencia a dificuldade geral dos adolescentes da atualidade em tolerar as frustrações que a vida os apresenta. Uma educação demasiadamente permissiva, onde as crianças mal têm tempo de desejar e curtir a espera pelo objeto de desejo.
Jovens patologicamente imediatistas, acabam interpretando a realidade do momento atual como permanente, o que diminui a sua capacidade de suportar momentos ou situações geradoras de muita angústia. A personagem Hannah não demonstra dar a proporção adequada aos eventos que a acometem, não consegue encarar a situações como situações transitórias, mas fatalidades irreversíveis.
A capacidade de perceber um determinado evento ou período da vida como passageiro é fundamental e sinal de amadurecimento. Isso se desenvolve através de diálogos com pessoas maduras, capazes de ampliar o campo de percepção do adolescente e mostrar-lhe outras perspectivas de análise da situação.
Por Aline Carvalho Monteiro, Psicóloga, Mestre em Psicologia Clínica, coach, Especialista em Perdas e Luto, psicoterapeuta de Casal e Família
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