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Abril 14, 2017 - 19:27

'13 Reasons Why' acende debate polêmico

'13 reasons why'

Foto: /Divulgação

Bullying e suas consequências estão em foco na nova série da Netflix

Paula Maria Prado

"Eu me sinto como Hannah Baker", disse uma moça ao telefone. Do lado de cá da linha o estudante de psicologia Guilherme Feital, voluntário do CVV (Centro de Valorização da Vida), associação sem fins lucrativos que realiza apoio emocional e prevenção ao suicídio.

A jovem continuou: tal como a personagem da série '13 Reasons Why', que estreou no final de março na Netflix, ela se sentia sozinha, incompreendida e estava pensando em dar cabo a sua vida. E ela não está sozinha. "Após a repercussão da série aumentou muito o número de adolescentes em nosso chat", afirmou ele, voluntário há um ano.

A série conta a história de Hannah Baker, uma adolescente suicida que deixa fitas cassetes nas quais aponta os motivos pelos quais as pessoas são "culpadas" pelo ato.

E, de fato, desde a estreia da série houve um aumento de 445% no número de procuras do CVV. Segundo nota oficial da instituição, o seriado motivou o número de ligações e ao menos 50 pessoas mencionaram seu conteúdo no chat.

"O aumento da procura pelo fato de ter auxiliado as pessoas a identificarem sinais em si próprios ou estimular a vontade de conversar é sempre positivo", conclui nota.

DIÁLOGO

O debate deixou muita gente em alerta, caso da psicóloga Aline Carvalho Monteiro, especialista com perdas e lutos. "A morte é um tema tabu! As pessoas ainda não entenderam que negar a idéia dela compromete inclusive a qualidade com que encaramos a vida. E o suicídio amedronta a todos, porque, de certa forma, todos, em algum momento de suas vidas já pensou sobre o assunto", afirmou.

Mas a série poderia ser responsável por fazer com que pessoas acabem com a própria vida? "Acho complicado afirmar que ela tenha o 'poder' de desencadear comportamentos suicidas, já que o perfil de uma pessoa suicida é composto por elementos diversos e não seria desencadeado, somente, poruma história transmitida pela mídia", disse Aline.

Ainda segundo Aline, a "proibição" poderia provocar uma reação inversa no público jovem: de curiosidade e desafio em querer assistir. Ainda assim ela alerta: "o seriado é denso e seu conteúdo bastante forte".

Procurada, a Netflix não retornou a OVALE até o fechamento da edição.

OPINIÃO: Guilherme Feital, estudante de psicologia e voluntário no CVV (Centro de Valorização da Vida)

OPINIÃOPor Aline Carvalho Monteiro, Psicóloga, Mestre em Psicologia Clínica, coach, Especialista em Perdas e Luto, psicoterapeuta de Casal e Família 

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