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Abril 17, 2017 - 15:04

Famílias do MST ocupam área às margens da Dutra em Taubaté

MST invade área do autódromo em Taubaté

Foto: Rogério Marques /

Ação do grupo faz parte da Jornada Nacional de Lutas pela reforma agrária

Hernane Lélis
Taubaté

Integrantes do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) ocuparam na madrugada dessa segunda-feira uma área na conhecida como Fazenda Guassahy, às margens da Via Dutra, em Taubaté. O local possui 300 hectares de terras consideradas pelo grupo como improdutivas e sem nenhuma função social poder público.

A ação do grupo faz parte da Jornada Nacional de Lutas pela reforma agrária e é realizada no Dia Internacional da Luta Camponesa, celebrado hoje. A data também é usada pelo MST para relembra o assassinato de 21 sem-terra durante uma manifestação ocorrida em 1996, no município de Eldorado dos Carajás (PA).

“Estamos em 100 famílias na área e ela foi escolhida por não ter nenhuma atividade de fim social. Nosso objetivo é reivindicar o assentamento das famílias nessa ou em outra área na região do Vale”, disse Suelyn da Luz, 31 anos, que integrante da direção regional do MST.

Na manhã de hoje agentes da Guarda Municipal de Taubaté estiveram no local para conversar com os líderes do grupo. “A prefeitura já se posicionou e disse que vai averiguar a situação a partir de amanhã. Vamos resistir aqui na área, que é bem grande e dá para assentar muitas famílias”, explicou Suelyn.

A área nas margens da Dutra, sentido Rio de Janeiro, já foi ocupada pelo MST em 2010. Segundo a organização do movimento, a prefeitura na época tinha a intenção de construir um kartódromo, mas nada foi feito. Dessa ocupação, o grupo teria iniciado junto ao Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) um processo de vistorias para possíveis assentamentos no Vale.

Na Fazenda Guassahy os integrantes do MST estão montando barracos individuais e coletivos para as famílias e pretendem iniciar pequenas atividades agrícolas. Diversas bandeiras do MST foram hasteadas no local e cartazes foram produzidos com dizeres contra a reforma da Previdência, a favor da reforma agrária e em memória dos assassinatos em Carajás.

Área

A Fazenda Guassahy tem cerca de 300 hectares (cada hectare corresponde, aproximadamente, à área de um campo de futebol de medidas oficiais) e, segundo o MST, está abandonada e pertence à prefeitura de Taubaté. A prefeitura não confirmou se é proprietária do terreno.

A assessoria de imprensa da prefeitura disse apenas que, por causa do feriado municipal de São Benedito celebrado hoje, a situação cadastral da área não pôde ser verificada. “Com o retorno às atividades, será possível confirmar e avaliar a necessidade de acionarmos a Secretaria de Negócios Jurídicos para adotar as medidas cabíveis”, disse em nota.

Funcionários de empresas próximas ao terreno informaram que o local é usado para criação de gado e, eventualmente, para provas esportivas.

A Lei Municipal 4.444, de 2010, autorizou a prefeitura a doar parte da área da antiga Fazenda Guassahy para empresas do grupo Unimetal Participações, ao qual pertence a Brasil Carbonos S/A, proprietária de uma extensa área contígua ao terreno ocupado. A Petrobras Distribuidora é sócia do Grupo Unimetal no empreendimento.

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