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Brasil
Abril 18, 2017 - 00:45

Ex-combatente relembra ida do Brasil à Segunda Guerra Mundial

Canhão antiaéreo do USS General W. A. Mann, que levou militares brasileiros para a Segunda Guerra.

Foto: Divulgação /

Aos 94 anos, remanescente do confronto conta a OVALE episódios marcantes do conflito na Itália, e lembra da desconfiança sobre os militares brasileiros antes do combate: "nós mostramos nosso valor"

Danilo Alvim
Pindamonhangaba

Sob a desconfiança dos próprios compatriotas, as tropas brasileiras chegaram à Itália em julho de 1944 para a disputa da Segunda Guerra Mundial. Conhecidos como pracinhas, os militares da FEB (Força Expedicionária Brasileira) estavam ao lado dos 'Países Aliados', encabeçados por Estados Unidos, União Soviética, França e Inglaterra.

Na época, o então presidente Getúlio Vargas chegou a dizer, em tom de ironia, que 'era mais fácil uma cobra fumar do que o Brasil entrar na guerra'. A expressão virou símbolo da FEB na campanha da Segunda Guerra.

"Quando foi declarada a guerra, muitas pessoas desacreditavam no Exército Brasileiro, mas mostramos nosso valor. A cobra fumou, até hoje falam nisso", lembrou o segundo-tenente Benedito Sebastião do Amaral, hoje com 94 anos. Ele é um dos remanescentes do grupo da FEB que esteve na Itália durante a Segunda Guerra Mundial.

Natural de Caçapava, Benedito vive atualmente em Pindamonhangaba com seu neto. A saudade dos antigos companheiros e o orgulho de defender sua pátria no conflito permanecem vivos na memória do ex-combatente. "Aquilo não foi brincadeira. Foram nove meses na Itália. A gente perguntava quando iria embora e ninguém sabia responder".

Criado pelo avô, após a morte da mãe, Benedito desde cedo queria seguir a carreira militar. Não deu outra: se alistou e foi para a guerra aos 22 anos, como cabo, exercendo a função de mensageiro. "Na época eu não tinha família e precisava honrar meu compromisso. Amo a pátria que tenho, e isso me dá muito orgulho". disse ele.

CICATRIZES. No front, o exército brasileiro conquistou importantes triunfos. Um dos mais complicados deles foi a batalha de Monte Castello, que durou três meses, se estendendo até 21 de fevereiro de 1945. Cerca de 400 militares brasileiros morreram durante o desgastante combate contra o exército alemão.

"Em Monte Castelo, jogaram uma granada em um jipe que estava um major, um sargento e o motorista, que ficaram feridos. Eu estava perto deles e vi que aquilo abalou todo mundo", lembra Benedito.

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