MUHAMMED MUHEISEN/ASSOCIATED PRESS/AE MUHAMMED MUHEISEN/ASSOCIATED PRESS/AE
Manifestantes saem às ruas em protesto contra governo militar; confrontos matam ao menos quatro
CAIRO/AE
A polícia lançou bombas de gás lacrimogêneo e disparou balas de chumbinho contra manifestantes que jogavam pedras nas ruas do Cairo ontem, o segundo dia de violência nas ruas da capital egípcia após o tumulto durante um jogo de futebol, na quarta-feira, que deixou 74 mortos.
Somente nesta sexta-feira, quatro pessoas morreram e 1.500 ficaram feridas em todo o país, informaram autoridades.
Os manifestantes responsabilizam a polícia por não ter evitado a briga após o jogo de futebol na cidade mediterrânea de Port Said. O episódio, o pior envolvendo futebol nos últimos 15 anos, se somou à frustração dos egípcios em relação aos generais que governam o país após o levante que derrubou o presidente Hosni Mubarak em fevereiro de 2011.
Nesta sexta-feira, os egípcios tomaram as ruas no Cairo, Alexandria, Suez e várias cidades do delta do rio Nilo. Mas as grandes manifestações ocorreram na capital, onde manifestantes usando capacetes e máscaras de gás abriram caminho pelas ruas cheia de gás lacrimogêneo na direção do Ministério do Interior, alvo frequente de manifestações porque é responsável pela polícia.
Muitos manifestantes deram a entender que as autoridades instigaram o episódio de Port Said ou permitiram que a violência ocorresse como forma de retaliação aos torcedores conhecidos como Ultras, que tiveram um papel importante nos confrontos com forças de segurança durante o levante que derrubou Mubarak. "Eu vim até aqui porque o que aconteceu em Port Said foi um plano político dos militares para dizer que são eles ou o caos", disse Islam Muharram, de 19 anos.
Poder. Na praça, milhares de pessoas se reuniram para condenar o fracasso das forças de segurança por não terem impedido o derramamento de sangue em Port Said. Os manifestantes disseram que o incidente prova que os militares têm administrado mal a transição do país para a democracia. Eles também pedem eleições presidenciais antecipadas e exigem que o Exército acelere a transferência de poder para uma administração civil.