Presidente recebe eleita para festa da vitória com um ‘presidenta’ seguido de ‘valeu, valeu, valeu!'
Brasília/AE
De chapéu-panamá e camisa vermelha, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recepcionou ontem de madrugada Dilma Rousseff no Palácio do Alvorada para a festa da vitória com um “presidenta” seguido de “valeu, valeu, valeu!”.
De acordo com informação de José Eduardo Dutra e José Eduardo Cardozo, presidente e secretário-geral do PT e coordenadores da campanha de Dilma, Lula disse que a presidente eleita foi uma “gigante e soube se impor” na disputa com o tucano José Serra.
Segundo eles, Serra ligou para Dilma quando ela já estava no Palácio do Alvorada. O telefonema, disse Cardozo, “foi muito cordial”.
O encontro no Alvorada durou mais de uma hora. Logo após a chegada de Dilma vários governadores de partidos aliados se juntaram à comemoração, provocando um congestionamento na entrada da residência oficial do presidente.
Também participaram da comemoração o vice-presidente eleito, Michel Temer, o presidente do Senado, José Sarney e vários ministros, entre eles Paulo Bernardo (Planejamento), Celso Amorim (Relações Exteriores) e Orlando Silva (Esportes).
Militantes. Junto à entrada do Alvorada, vários militantes se aglomeraram, com camisas, bandeiras, buzinas e apitos, gritando: “Dilma! Dilma”.
Lula. O presidente Lula disse que continuará à frente da rede de movimentos sociais e sindicais depois que deixar a Presidência.Ele afirmou que estará à disposição de sua sucessora, a “companheira” Dilma Rousseff, para eventuais embates com os adversários e diálogos com empresários e aliados.
“Não tenho como desaparecer da minha relação com a sociedade de uma hora para a outra”, afirmou.
“Quero continuar viajando, ajudando o Brasil e a política”, ressaltou. “Sou um ser humano político.”
Nas respostas sobre o futuro político, Lula sugeriu que a disputa de 2014 é um tema de interesse da imprensa, enquanto a preocupação dele é permanecer em evidência nas ruas após deixar o governo.
“Ela (Dilma) vai tomar posse no dia 1º. Eu vou para a terra e ela continua. Eu, no nosso barco”. E repetiu semblante de falta de interesse toda vez que foi perguntado sobre um possível terceiro mandato, dizendo não ter “vontade” de voltar ao Planalto. Ao comentar o poder das ruas, ele observou que deixa o governo com 80% de aprovação. Mas descartou participar formalmente do futuro governo e mesmo das atividades do PT, mas estará aberto para conversas com Dilma.
“Eu sou companheiro da Dilma, gente, lógico que eu vou discutir com ela muitas coisas. A única tarefa que eu não quero é ter tarefa dentro do governo ou do partido”.