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REGIAO
February 16, 2017 - 10:46

Interligação do rio Paraíba tem apenas 50% das obras prontas

Rio Paraíba

Foto: Arquivo / O VALE

Xandu Alves
São José dos Campos

A obra de interligação das represas de Jaguari, da bacia do rio Paraíba do Sul, e Atibainha, do Sistema Cantareira, completa um ano hoje com a metade dos trabalhos prontos. Com isso, a entrega não será feita em abril de 2017, como previa o governo estadual, mas no último trimestre deste ano.

"Tivemos entraves com licenciamento ambiental", explica o engenheiro Marcelo Gonçalves, coordenador do empreendimento. "A entrega ficará mais para o final deste ano, no último trimestre".

Com 1.300 trabalhadores no canteiro de obras, que se somam a 4.000 postos de trabalho indiretos, as obras alcançaram 50% com ao menos 14 frentes de trabalho nas três cidades envolvidas: Igaratá, Santa Isabel e Nazaré Paulista.

Ao custo de R$ 555 milhões, a obra permitirá tirar água de Jaguari e levar para Atibainha, que pertence ao Sistema Cantareira, responsável por abastecer 9,5 milhões de pessoas na Grande São Paulo.

Desafio.
Tudo está sendo feito ao mesmo tempo. A captação de água bruta está na execução da fase de construção civil, compra de equipamentos e instalação. A adutora de aço de 13,4 quilômetros de extensão conta com 10 frentes de trabalho em vários pontos do trajeto. E o túnel de 6,2 km tem quatro frentes de escavação.

"Trata-se de obra de elevado grau de dificuldade, com muitos trabalhos inéditos e inovadores", disse Gonçalves.

Segundo o governo estadual, a vazão média de água retirada da represa da RMVale
será de 5,13 m³/s, com previsão de vazão máxima de 8,5 m³/s, o que não comprometeria o reservatório.

As obras também permitirão levar água no sentido contrário, de Atibainha para Jaguari. Mas essa interligação dependerá de uma segunda fase de obras, com término previsto para outubro de 2018. Segundo Gonçalves, esse cronograma está mantido.

Ontem, as quatro represas da bacia do rio Paraíba, entre elas Jaguari, estavam com 58,27% do volume útil, bem acima do volume de um ano atrás, em fevereiro de 2016, com 28,15% (leia abaixo).

Na RMVale, o projeto levanta dúvidas desde o início. Especialistas cobraram estudos mais aprofundados sobre os impactos na bacia do Paraíba.

"São Paulo está indo buscar água cada vez mais longe por não resolver os problemas internos", disse Juarez Vasconcelos, ex-secretário de Meio Ambiente de Igaratá.


Bacia está com 58,2% do volume

As chuvas desde o final de 2016 ajudaram a recuperar as represas da bacia do rio Paraíba do Sul, que entraram no volume morto em janeiro depois da pior seca dos últimos 80 anos.

Ontem, o reservatório equivalente --média das quatro represas (Paraibuna, Jaguari, Santa Branca e Funil)-- estava com 58,27% do volume útil, mais do que o dobro da quantidade de água no mesmo período do ano passado, de 28,15%.

A maior e mais importante represa, Paraibuna, tinha ontem 61,43%, bem acima do volume de 18,71% de fevereiro de 2016. As outras também estão recuperadas: Santa Branca (22,75% ante 10,93%) e Jaguari (59,84% ante 36,95%).

A exceção é Funil (60,53% ante 66,46%), mas que é utilizado mais como um reservatório de passagem.

"A situação está bem favorável, mas não devemos desperdiçar água", disse o geólogo Edilson Andrade.

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